Reflexões sobre jornalismo na Compós 2014

{Belém, PA – UFPA} Os debates no GT de Jornalismo da Compós 2014 foram de altíssimo nível; muito bom estar ao lado de gente boa e competente que pensa profundamente o jornalismo (como Tattiana Teixeira, Ronaldo Henn, Fernando Resende, Suzana Barbosa, Moreno Osório,  Beatriz Becker, Mônica Machado, Ana Cláudia Peres, Diógenes Lycarião, Rousiley Maia, Maíra Sousa, Marcos Paulo da Silva, Naara Normande e Yuri Almeida).

Discutimos jornalismo online, critérios de noticiabilidade, o papel do testemunho nas narrativas jornalísticas, as crises no jornalismo, a mídia ninja, jornalismo e redes sociais, curadoria no jornalismo e mais. Os artigos estão já disponíveis nos Anais do evento.

O  paper que apresentei sobre jornalismo digital recebeu críticas lindas e proveitosas; além disso tudo, tive a chance de estar presencialmente com pesquisadores que admiro muito e ainda a oportunidade de conhecer outros que passei a admirar. Como um presente dos céus, matei a saudade de velhos amigos. No último dia em Belém, uma surpresa: um passeio num barco Hacker no rio Guamá, na Amazônia paraense, com direito a interagir com a comunidade ribeirinha, comer cacau e dar umas braçadas na água.

Mais uma leitura recomendada: Tendências no Jornalismo, mantida pelo colega Moreno Osório.

GT de Jornalismo da Compós 2014 - UFPA - Belém, PA.
GT de Jornalismo da Compós 2014 – UFPA – Belém, PA.
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GT de Jornalismo da Compós 2014 – UFPA – Belém, PA.
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GT de Jornalismo da Compós 2014 – UFPA – Belém, PA.

Tendências para um mundo sociodigital

Descrever tudo o que aconteceu na Conferência Internacional de Redes Sociais, que aconteceu em Curitiba entre os dias 11 e 13 de março, é uma tarefa inglória. Afinal, um encontro que reuniu mais de 3 mil pessoas e 100 palestrantes – entre eles Steven Johnson, Clay Shirky e Pierre Lévy – só pode resultar em um turbilhão de ideias e tendências que busquei resumir nos tópicos a seguir:

Redes sociais e as cidades

Ao contrário do que se previa, a cada ano mais e mais pessoas estão deixando o campo e vivendo nas cidades. Em 2007, 3,3 bilhões de pessoas moravam em grandes centros; em 2050 estima-se que esse número chegue a 6,4 bilhões.

De acordo com Clay Shirky, “quanto maior e mais densa a concentração de pessoas mais precisaremos desenvolver ferramentas de comunicação e informação eficazes para ambientes populosos como as grandes cidades”. O autor do livro Here Comes Everybody relembra o sistema pneumático muito utilizado na comunicação dos primeiros arranha-céus para que as pessoas não precisassem mais subir ou descer dezenas de andares para se comunicarem uma com as outras. As redes sociais e a internet terão papel fundamental em aperfeiçoar a comunicação e potencializar a extração de inteligência das informações geradas pelos habitantes desses centros.

Steven Johnson concorda e complementa: “a internet é essencial principalmente às grandes cidades. Nas pequenas, as pessoas conseguem ter noção de tudo aquilo que ocorre em sua volta, do novo restaurante da rua principal à posse de um novo legislador. Já a proporção que algumas cidades tomaram fez com que seus moradores perdessem essa noção do todo e a internet e seus dados acabaram se tornando fundamentais para o melhor aproveitamento do espaço público.

Rede de coisas

O volume atual de dispositivos conectados à rede é estimado em 1 trilhão, principalmente por conta dos videogames e dos celulares. A recente queda da rede do Playstation 3 fez com que todos enxergassem uma promessa antiga: a internet não é mais formada apenas por computadores e sim por todo tipo de gadget fruto do processo de digitalização iniciado na década de 80.

Isso faz com que possamos estar em contato direto entre o mundo virtual e o mundo real e um dos grandes exemplos dessa integração é o FourSquare. Esse aplicativo para celulares cria uma rede social orgânica, pois novas conexões podem surgir em tempo real baseadas na localização de cada indivíduo.

Integração real x virtual

Casos famosos como a trilogia de vídeos de Dave Caroll contra a United Airlines utilizaram o poder da web para reverberar uma mensagem, porém não para mobilizar pessoas em torno dela. Esse movimento de aversão à companhia aérea acabou surgindo como “efeito colateral” da atitude do cantor, e não de forma planejada.

Entretanto, o fato de as pessoas estarem cada vez mais conectadas faz com que aumentem o número de iniciativas que utilizam as redes sociais virtuais para mobilizar grupos em torno de causas ou em prol de mudanças no mundo real de forma estruturada. Exemplos não faltaram durante os três dias de evento, como o PatientsLikeMe, SeeClickFix, MeetUp e o KickStarter.

 

Privacidade, excesso de informação e PKM

A presença em todas as redes sociais traz implicações como o excesso de exposição e a perda de privacidade. Porém, Steven Johnson relembra que isso não pode ser usado como argumento para abandoná-las. Pelo contrário, precisamos usufruir tudo isso que é oferecido por elas, mas sabendo preservar nossa intimidade. Steven sugere, inclusive, que isso seja ensinado nas escolas às crianças desde os primeiros anos.

As questões relacionadas ao indivíduo inserido nas redes sociais também foram assunto da fala de Pierre Lévy que abordou a gestão pessoal do conhecimento no último dia da conferência. O filósofo francês acredita que o “problema não está no excesso de informação e sim na ausência de critérios individuais de foco e de escolha de fontes confiáveis a seguir”. Para contornar esse problema, Lévy propõe um método composto de nove etapas, além do uso de processos e ferramentas de PKM (personal knowledge management):

  1. Gestão da atenção
  2. Conexão com fontes valiosas
  3. Agregar/Coletar fluxos de informação
  4. Filtragem
  5. Categorização
  6. Registro para memória de longo prazo
  7. Síntese
  8. Compartilhar/comunicar
  9. Reassess (retrofluxo do processo)

O saldo desta troca intensa de interações mostra que temos ainda um grande campo a ser explorado. A onipresença da tecnologia faz com que ela se entrelace às nossas vidas de uma maneira que praticamente não percebamos mais sua existência. Isso faz com que, finalmente, as atenções se voltem para o ponto de onde jamais deviam ter saído: as pessoas.

(Andre de Abreu)

O ano de 2008 na Internet: eventos, personalidades e tendências

O Jornalistas da Web convidou quatro jornalistas do meio online para elencarem alguns momentos marcantes da Internet em 2008 e também apontarem possíveis tendências para o próximo.

Os convidados deveriam citar:

1. Eventos, recursos, serviços e/ou acontecimentos que mais chamaram a atenção no meio online em 2008

2. Uma personalidade do meio online em 2008

3.  Um site em 2008

4.  Possíveis tendências no meio online para 2009

5. O que pode/deveria melhorar no meio online em 2009

Participaram da pauta Raquel Recuero (uma super pesquisadora de mídia digital), Paulo Henrique Ferreira (jornalista que tem feito uma boa revolução no Lancenet! em termos de novas mídias e conteúdo móvel),  Deborah Dubner (criadora do portal Itu.com.br), e eu mesma, Daniela Bertocchi, daqui do Intermezzo.

A campanha eleitoral de Barack Obama esteve em quase todas as respostas. O Twitter foi destacado por mim e Raquel. As  ferramentas móveis (mobile, mobilidade, autonomia) e a social media são entendidos como tendências. Vale a pena conferir todas as respostas.

(Daniela Bertocchi)