Perguntas incômodas para quem trabalha com jornalismo digital (Visibilidade e consumo da informação nas redes sociais, 2016)

BERTOCCHI, Daniela. Perguntas incômodas para quem trabalha com jornalismo digital. In: Elizabeth Saad Correa. (Org.). Visibilidade e consumo da informação nas redes sociais. 1ed.Porto: Media XXI – Publishing, Research and Consulting, 2016, v. 1, p. 159-178.

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Dos dados aos formatos: a narrativa no jornalismo digital (2015)

Bertocchi, Daniela. Dos dados aos formatos: a narrativa no jornalismo digital, In: Temer, Ana Carolina Rocha Pessôa & Santos, Marli dos. (orgs). Fronteiras Híbridas do Jornalismo. 1ed. Curitiba: Appris, 2015,Volume 3 – Série Jornalismo em Pauta, ISBN: 978-85-8192-975-0,   p. 179-192.

9788581929750

Como escrever títulos para o jornalismo digital (ou não)

No mundo digital, os títulos são determinantes: se bem elaborados, podem trazer uma bela audiência para uma produção jornalística online; se mal preparados, podem, por outro lado, reduzir a possibilidade de acesso ao conteúdo (sobretudo via buscadores como o Google). Neste caso, ficam vagando. pelo limbo da internet. Isso porque títulos são clicáveis e indexáveis; suas palavras funcionam como tags interligadas com outras palavras, conteúdos e preferências de usuários.

Por conta disso, vale a pena observar sua anatomia e comportamento no ecossistema digital. Abaixo, apresento as fórmulas de títulos hoje consideradas de alta performance. É uma lista (não exaustiva) que nasce da observação do que vejo jorrar aos borbotões nos principais jornais, sites e portais informativos mundo afora. Se eu os considero todos bons títulos jornalísticos? Não. Mas acho importante investigá-los.

Vejamos o que anda acontecendo no jornalismo online:

  • 1 – Fórmula do paradoxo
    [coisas antagônicas funcionando bem juntas]
    Exemplos:
    Quem mais aqui quer mais diversão e menos estresse nas férias?
    Quem mais aqui quer um batom lindo e que não borra na hora do beijo?
    Como pedir demissão e ainda fazer mais dinheiro
    Como oferecer uma festa de casamento gastando pouco
  • 2 –Fórmula do mistério revelado
    [o segredo de alguma coisa difícil de conseguir]
    Exemplos:
    O segredo de uma vida sempre saudável
    O segredo para manter o peso após a dieta
    O segredo para conseguir um financiamento da casa própria
  • 3 –Título da fórmula milagrosa
    [solução de problema qualquer de uma vez por todas ou num curto espaço de tempo]
    Exemplos:
    Livre-se da enxaqueca de uma vez por todas
    Livre-se do mau hálito de uma vez por todas
    Como se livrar de um chefe chato de uma vez por todas
    Como falar espanhol como um nativo
    Como publicar um livro (e fazer dele um best-seller)
    Emagreça 5 quilos este mês
    Como montar uma festa infantil em uma semana
    Confira 5 dicas para economizar até R$ 700 em um ano na conta de luz
  • 4 –Título para não ficar de fora da conversa
    [o que toda/o mulher, homem, mãe, profissional precisa saber sobre um assunto]
    Exemplos:
    O que toda mulher precisa saber sobre orgasmo
    O que todo marido precisa saber sobre sua mulher
    10 coisas que você deveria ter em casa aos 30 anos
    5 direitos trabalhistas que todo profissional deve conhecer
    15 coisas que você não deve falar em entrevistas de emprego
  • 5 –Fórmula da advertência
    [erros que você não deve cometer]
    Exemplos:
    5 erros que pode estar cometendo no seu email sem saber
    11 erros fatais na hora de estudar para concursos públicos

***

Em tempo: sobre o assunto, recomendo a leitura: 

SALAVERRÍA, Ramón (2005) Redacción periodística en internet. Pamplona: Eunsa. (ISBN: 84-313-2259-4).
DÍAZ NOCI, Javier y SALAVERRÍA, Ramón (coords.) (2003) Manual de Redacción ciberperiodística. Barcelona: Ariel. 592 págs. (ISBN: 84-344-1297-7)
RODRIGUES, Bruno (2014). Webwriting – Redação para a Mídia Digital. Editora Atlas.

Para que criamos estratégias digitais no jornalismo?

Para conseguir mais likes, shares e cliques (e ganhar rios de dinheiro). Certo? Não, não somente. Quem desenha estratégias digitais para o jornalismo deveria querer um pouquinho mais que isso. Como ter o compromisso de fazer circular pela rede conteúdos e serviços relevantes (e dignos) para a sociedade. Como diz  Carlos Chaparro, o jornalismo lida com a transformação da realidade — portanto, quaisquer estratégias de visibilidade deveriam considerar tal condição.

Para saber mais: Jonathan Colman explica aqui a diferença entre estratégia de conteúdo e estratégia de marketing (além de fornecer uma robusta bibliografia sobre o tema). Paul Bradshaw fala um pouco sobre como construir estratégias online para o jornalismo neste texto aqui. Também trato do assunto na minha tese doutoral, ressaltando que o desenho das estratégias de conteúdo precisa passar pelo bom entendimento de várias disciplinas, entre elas: experiência do usuário (UX), arquitetura de informação pervasiva (ubíqua), lógica computacional e consumo informativo em redes sociais.

Perguntas embaraçosas para quem trabalha com jornalismo digital

O vice-presidente sênior de estratégia da News Corp, Raju Narisetti, listou aqui 25 perguntas bastante delicadas que deveriam ser feitas anualmente a quem hoje trabalha em uma Redação online (editores, repórteres, diretores, gestores). São questionamentos que supostamente ajudariam a guiar o processo de disrupção e inovação no jornalismo digital.

Agrupei essas 25 perguntas por afinidade, depois expurguei algumas e, por fim, cheguei numa listinha menor com 5 questionamentos-chave que julgo serem os mais importantes no contexto brasileiro. Ninguém precisa publicamente respondê-las, naturalmente. É uma forma de fomentar uma reflexão sobre como estamos conduzindo nossos projetos jornalísticos. Vejamos:

  1. MOBILE. Quantos profissionais da sua equipe estão dedicados a produzir para mobile e/ou criar serviços e novos produtos para celulares? A propósito, qual porcentagem de seu público acessa a sua marca jornalística via smartphone e qual era esse número há um ano?
  2. PROGRAMADORES NA REDAÇÃO. Aproximadamente quantos desenvolvedores (front-end e back-end) existem trabalhando hoje na sua Redação? Quem coordena eles?
  3. CONTEÚDO E AUDIÊNCIA. Quantos usuários chegam  – e vão embora – em seu site entre cinco e dez da manhã? Que horas é a sua primeira reunião de pauta? Para Redações que empacotam impressão + assinaturas digitais, qual a porcentagem de assinantes de impressão são registrados no site ou aplicativo da marca? Você os conhece (padrão de comportamento online)?
  4. EQUIPE. Você consegue listar as cinco mais importantes medidas de desempenho (formal e previamente já escritas) usadas para avaliar a sua Redação anualmente? O que é para você uma equipe jornalística de alta performance?
  5. PUBLICIDADE. Qual porcentagem de sua receita total de publicidade é digital? Desse total, quanto é proveniente de celulares? E quando foi a última vez que sua organização de notícias lançou um formato publicitário inovador que foi vendido mais de cinco vezes para os clientes nos últimos 12 meses?

Será que me esqueci de algo relevante? Fiquem à vontade para me ajudar nessa. 🙂

Lições do ISOJ para inovar em jornalismo digital

Eduardo Suarez (@eduardosuarez), correspondente do El Mundo em Nova Iorque, publicou aqui o que ele chamou das “sete lições do ISOJ  para inovar em jornalismo digital”. Segue um resumo com meus breves comentários:

1. conhecer a sua audiência [digo eu: isso significa um mergulho profundo nos dados de acesso, uma capacidade de identificar padrões de navegação, o que (sejamos honestos) nem sempre é tarefa fácil para os jornalistas às voltas com as pautas do dia a dia];

2. a publicidade não é o único caminho [a conclusão dos participantes do congresso: é quase impossível financiar o jornalismo de qualidade somente com anúncios; mas então quais são os outros caminhos?];

3. não deixe de experimentar jamais [na minha visão, isso quer dizer um mindset “Agile“, mentalidade ainda a ser construída nas Redações];

4. escolher um nicho [mesmo se for um meio jornalístico generalista, alguns temas merecem um perspectiva vertical, de fato];

5. o fim da televisão [não vejo isso acontecendo no Brasil a curto prazo];

6. a geração milênio [aqui temos um caminho a desbravar, é uma geração na qual eu prestaria a maior atenção];

7. menos notícias e muito mais contexto [sim, sempre, mas estamos a falar disso desde 1995 (lembram das previsões de Nora Paul feitas em 1995? 🙂 Na minha dissertação de mestrado eu comentei cada uma delas].

Para saber mais sobre como foi o ISOJ, recomendo clicarem aqui: nohacefaltapapel