Perguntas embaraçosas para quem trabalha com jornalismo digital

O vice-presidente sênior de estratégia da News Corp, Raju Narisetti, listou aqui 25 perguntas bastante delicadas que deveriam ser feitas anualmente a quem hoje trabalha em uma Redação online (editores, repórteres, diretores, gestores). São questionamentos que supostamente ajudariam a guiar o processo de disrupção e inovação no jornalismo digital.

Agrupei essas 25 perguntas por afinidade, depois expurguei algumas e, por fim, cheguei numa listinha menor com 5 questionamentos-chave que julgo serem os mais importantes no contexto brasileiro. Ninguém precisa publicamente respondê-las, naturalmente. É uma forma de fomentar uma reflexão sobre como estamos conduzindo nossos projetos jornalísticos. Vejamos:

  1. MOBILE. Quantos profissionais da sua equipe estão dedicados a produzir para mobile e/ou criar serviços e novos produtos para celulares? A propósito, qual porcentagem de seu público acessa a sua marca jornalística via smartphone e qual era esse número há um ano?
  2. PROGRAMADORES NA REDAÇÃO. Aproximadamente quantos desenvolvedores (front-end e back-end) existem trabalhando hoje na sua Redação? Quem coordena eles?
  3. CONTEÚDO E AUDIÊNCIA. Quantos usuários chegam  – e vão embora – em seu site entre cinco e dez da manhã? Que horas é a sua primeira reunião de pauta? Para Redações que empacotam impressão + assinaturas digitais, qual a porcentagem de assinantes de impressão são registrados no site ou aplicativo da marca? Você os conhece (padrão de comportamento online)?
  4. EQUIPE. Você consegue listar as cinco mais importantes medidas de desempenho (formal e previamente já escritas) usadas para avaliar a sua Redação anualmente? O que é para você uma equipe jornalística de alta performance?
  5. PUBLICIDADE. Qual porcentagem de sua receita total de publicidade é digital? Desse total, quanto é proveniente de celulares? E quando foi a última vez que sua organização de notícias lançou um formato publicitário inovador que foi vendido mais de cinco vezes para os clientes nos últimos 12 meses?

Será que me esqueci de algo relevante? Fiquem à vontade para me ajudar nessa. 🙂

Advertisement

A sua contribuição, leitor, vale o quanto pesa?


Jornalismo participativo ainda não atrai contribuições de qualidade, avaliam jornalistas

As iniciativas de jornalismo produzido pelos leitores já existentes na internet brasileira trazem pluralidade de vozes mas ainda não atraem conteúdo de qualidade, segundo jornalistas e professores entrevistados pelo Comunique-se. Foram avaliados os serviços VC no G1, Minha notícia, Eu repórter e VC Repórter. Dentre eles, todos tinham prevalência de conteúdo local. Os dois primeiros têm uma parcela de notícias sobre entretenimento.

O artigo cita pesquisa de mestrado de Cristiane Lindemann sobre o VC Repórter, do Terra, segundo a qual grande parte do conteúdo do portal (73,33%) se baseia em fontes oficiais; apenas 11,85% em fontes independentes; 11,11% usam o depoimento de testemunhas; e 3,7% das notícias vêm de fontes “oficiosas”.

Para a professora Ana Brambilla, os portais “ainda não têm foco definido, não dão um feedback capaz de estreitar a relação com o usuário, têm poucos critérios de relevância e características de serviço”. Segundo Juliano Spyer, os internautas brasileiros que desejam se expressar preferem fazer seus próprios blogs, evitando os “filtros ideológicos e de mercado” dos portais. Para Carlos Castilho, a novidade ainda atrai colaboradores em busca de autopromoção.
(do Comunique-se via Knight Center)