Para que criamos estratégias digitais no jornalismo?

Para conseguir mais likes, shares e cliques (e ganhar rios de dinheiro). Certo? Não, não somente. Quem desenha estratégias digitais para o jornalismo deveria querer um pouquinho mais que isso. Como ter o compromisso de fazer circular pela rede conteúdos e serviços relevantes (e dignos) para a sociedade. Como diz  Carlos Chaparro, o jornalismo lida com a transformação da realidade — portanto, quaisquer estratégias de visibilidade deveriam considerar tal condição.

Para saber mais: Jonathan Colman explica aqui a diferença entre estratégia de conteúdo e estratégia de marketing (além de fornecer uma robusta bibliografia sobre o tema). Paul Bradshaw fala um pouco sobre como construir estratégias online para o jornalismo neste texto aqui. Também trato do assunto na minha tese doutoral, ressaltando que o desenho das estratégias de conteúdo precisa passar pelo bom entendimento de várias disciplinas, entre elas: experiência do usuário (UX), arquitetura de informação pervasiva (ubíqua), lógica computacional e consumo informativo em redes sociais.

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15 links selecionados sobre publicadores e plataformas de gerenciamento de conteúdos (CMS)

Atualizado em 19/07/2013.

Compilo neste post alguns links que recolhi neste primeiro semestre de 2013 sobre publicadores e plataformas de gerenciamento de contéudos, chamados usualmente de Content Management Systemns (CMS).

São links aos quais já recorri (tenho um capítulo na tese doutoral dedicado ao assunto) e sei que contêm informações interessantes.

Vamos lá:

  1. Um evento de referência sobre o assunto: CMS Expo
  2. Os maiores publicadores: Top 10 Content Management Systems (CMS).
  3. Os publicadores mais populares: 50 Most Popular Content Management Systems.
  4. Livro sobre estratégias de gerenciamento de contéudo: Managing Enterprise Content: A Unified Content Strategy (2nd Edition).
  5. Livro recém-lançado sobre uso de semântica em CMSs: “Semantic Technologies in Content Management Systems: Trends, Applications and Evaluations
  6. CMS do ponto de vista da usabilidade. “11 usability principles for CMS products.”
  7. Comparativo interessante. Relatório IdealWare 2010: “Comparing Open Source CMS Report“.
  8. CMS do ponto de vista dos negócios. O enquadramento teórico está bem elaborado. Browning, Paul & Lowndes, Mike. (2011). “JISC TechWatch Report: Content Management Systems“.
  9. TendênciasA Closer Look At Chorus, The Next-Generation Publishing Platform That Runs Vox Media
  10. Sobre interfaces administrativasUser Experience Trends for Admin Dashboards
  11. CMS e jornalismo4 ways content management systems are evolving & why it matters to journalists
  12. Texto de Tiago Doria: Back-end do jornalismo deve estar em constante transformação
  13. O publicador do New York TimesIntroducing ICE: Writing for the Web First
  14. O publicador da BBCBBC News website’s content management and publishing systems
  15. O publicador do Guardian: How the Guardian’s custom CMS & API helped take content strategy to a traditional publisher

O embate sem fim no jornalismo: online e impresso são incompatíveis?

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Acompanhando o excelente blog 233Grados, do colega espanhol Mário Tascón, tenho sempre a impressão de que é difícil e indigesta a aceitação e convivência com as irreversíveis mudanças no processo jornalístico e nos profissionais da área diante do acelerado mundo digital. Mesmo com a evidência dos fatos ainda vemos resistentes entrincheirados, insistindo em encontrar na voz de autoridades da área justificativas para suas posições.

Nessa linha é muito interessante o post do 233Grados que monitora a troca de idéias entre dois jornalistas do El Pais sobre o tema. De um lado, estão ali apresentadas entrevistas realizadas pelo jornalista Juan Cruz – um resistente assumido – com diversos nomes de peso no mundo jornalístico da Europa e dos Estados Unidos. Incrível, pois, o feitiço virou contra o feiticeiro, já que a grande maioria dos entrevistados, em oposição às colocações de Cruz assume o mundo digital como irreversível e já concretizado, sem que isso comprometa um jornalismo de qualidade.

Para acirrar o embate, na outra ponta está o jornalista Enric González – um digitalizado – que assina matéria no mesmo jornal entitulada Funerales onde defende a qualidade de conteúdo como base fundadora para o sucesso de qualquer operação informativa, em qualquer plataforma.

Reproduzo a seguir o trecho mais interessante (em Espanhol):

La industria periodística, que numerosos expertos dan por desahuciada y que, por la costumbre, solemos confundir con el oficio, es un asunto de propietarios, capataces y empleados. Si la despojamos del velo de romanticismo, queda eso: una jerarquía vertical, unos intereses comerciales y políticos, unos empleados que sirven a cambio de un sueldo.

La parte industrial, la que dicen que agoniza, no es especialmente bonita de ver. Toda la gracia está en el oficio, en las personas que lo practican y en el público al que sirven. Quizá desaparezcan las mesas, la cafetería, las complicidades oficinescas, la seguridad de una nómina, la enfermedad retribuida, el relativo cobijo de una cabecera; es de suponer que, en contrapartida, el periodista quedará liberado de los compromisos de sus amos. Se atisba una época en la que el periodista será él mismo, expuesto a la intemperie, a solas con sus propios compromisos y sus propios errores.

São ilustrações que reforçam o temos insistido nesse Intermezzo: discutir informação em ambientes digitais requer mudança cultural da empresa, seus publishers e colaboradores; novas habilidades profissionais; reforma urgenta nas estruturas de ensino,treinamento e desenvolvimento de pessoas, y otras cositas más….

(Beth Saad)