Narrativa é sistema (OBCiber, 2014)

Bertocchi, Daniela. Narrativa é sistema. Conferência no IV Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Universidade do Porto, Portugal. 4 e 5 de Dezembro de 2014. https://obciber.wordpress.com/

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A cena cibercultural do jornalismo contemporâneo: web semântica, algoritmos, aplicativos e curadoria (Matrizes, 2012)

Corrêa, Elizabet Saad & BERTOCCHI, Daniela. A cena cibercultural do jornalismo contemporâneo: web semântica, algoritmos, aplicativos e curadoria. Matrizes (Online), Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo, v. 5, p. 123-144, 2012.

Entre egos e a realidade: a grande mídia na berlinda do DigitalAge 2.0 2009

O painel em ação
O painel em ação

Ao que tudo indica (confiram o blog), o painel “A crise da mídia tradicional. Quem vai publicar as notícias que vão alimentar a conversa?” colocou pimenta nos olhos dos participantes e da platéia. Para mim, como mediadora, foi uma ótima oportunidade de reiterar ao vivo e a cores todas as opiniões que venho postando aqui no Intermezzo em tempos recentes: as tradicionais marcas de mídia no Brasil posicionam-se entrincheiradas e resistentes à inovação.

Assistimos a um interessante embate entre egos das personalidades mais conhecidas presentes, até com o surgimento de uma nova denominação para as mídias tradicionais: agora é de bom tom referir-se a elas como “mídias clássicas”. Também assistimos a uma tentativa de desvio temático no painel, onde quase todos os participantes centraram-se no antagonismo novas e velhas mídias.

A proposta de discussão do painel nunca esteve centrada nesse antagonismo. Pelo contrário. O objetivo do painel sempre foi discutir algo mais amplo: a mudança de postura estratégica e cultural de nossas empresas de mídia a partir das tendências globais hoje em curso; o novo patamar de relacionamento com os públicos, integrando a força das redes sociais; e a busca de um novo modelo de negócios dentro do novo contexto. Para contextualizar as discusões, o jornalista Clayton Melo do IDGNow publicou uma excelente entrevista com esta escriba  no blog do evento, e também foi disponibilizada a apresentação que fiz como introdução ao tema.

Embates e egos à parte, o painel resultou numa demonstração de que seus temas principais não eram o foco de atenção de nossos publishers. Ficamos sem saber as respectivas opiniões sobre o que interessa: o mundo da informação digital está mais uma vez em transição e qual seria o posicionamento do Estadão, da Época, da CBN e de um especialista sobre o que vem pela frente?

Durante minha introdução ao tema do painel nossos colegas foram instigados com interessantes vertentes da discussão: a síndrome da periodicidade versus fluxo informativo contínuo; o uso desconfigurado do blog como coluna de opinião e do twitter como substituto de feeds RSS; a integração da voz e opinião dos usuários; e as diferentes formas de geração de receitas. Nada disso pareceu perturbar nossos tótens jornalisticos ali fincados.

Para o Digital Age 2010 proponho colocar pimenta malagueta da boa na mesa: que tal o debate com que já vivencia transição e mudança mundo afora?

(Beth Saad)

10o. ISOJ/UTexas – Austin: modelos de conteúdo/negócio alternativos viabilizam o JOL. Parte II

Bem, se a saída à crise ou à transformação de todo o business informativo está nos modelos alternativos, vejam alguns apresentados no ISOJ.

nowpublicO primeiro deles é o informativo canadense NowPublic, baseado na lógica do crowdsourcing. O site publica informações de fontes alternativas – blogs, Twitter, Flickr, YouTube, oferecendo ferramentas e recursos editoriais para que tais informações sejam disponibilizadas de forma adequada aos preceitos e valores do jornalismo.

O crowdsourcing pode ser definido como um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias. O crowdsourcing comporta a noção de que o universo dos internautas pode fornecer informações mais exatas do que peritos individuais.

O modelo do NowPublic foi criado por três empreendedores/investidores que já operavam no mercado de tecnologia da informação e que perceberam o potencial do sistema – as informações são enviadas ao site e este também coleta conteúdo de fontes alternativas, fazendo com que o criador do conteúdo seja valorizado pelo trabalho realizado pela enxuta redação. Com isso, tem-se uma operação de baixo custo e, ao mesmo tempo, totalmente voltada à participaçõa dos usuários.

politicocomUm segundo modelo enfatiza o chamado jornalismo de nicho. O site Politico.com caracteriza-se como uma operação jornalística na web, com um complemento em versão impressa, voltada exclusivamente à cobertura de Washington, a Casa Branca, o Congresso e todas as informações paralelas que circulam no centro do poder.

O diferencial nesse caso é o estilo da cobertura, que resulta num conteúdo atraente par ao usuário. A idéia é buscar fontes alternativas de informação (não aos porta-vozes!), fazer os repórteres frequentarem locais  e eventos não-políticos, dar espaço aos lobistas, entre outras formas de geração atraente.

propublicaUm terceiro modelo está voltado para uma operação sustentada por uma Fundação privada, a Sandler Foundation, de um casal norte-americano mecenas, que acredita na necessidade de uma sociedade mais justa, democrática e informada. Com isso surgiu o ProPublica.org, uma redação sem fins lucrativos, que se propõe a uma cobertura investigativa independente, focada em assuntos de “força moral”, segundo definição de seus editores.

A idéia do site foi proposta pelo ex- jornalista do The Wall Street Journal, Paul Steiger que recebu apoio para tornar o jornalismo investigativo protagonista, uma vez que o mesmo tem sido pouco considerado pela mídia tradicional. A proposta de um modelo de mecenato baseia-se na idéia de que há necessidade de construir uma marca sólida, vinculada à independência de investigação, para posteriormente bbuscar um modelo comercial par ao site.

Além desse três modelos, foram discutidos no Simpósio o conhecido The Huffington Post, o San Diego News Network, o inDenver Times, o Spot.us e o The Batavian, todos baseados em algum modelo que correlaciona UGC, participação e baixo custo operacional.

Fica a pergunta que não que calar: como estamos no Brasil? temos modelos alternativos?

(Beth Saad)