O fluxo de trabalho jornalístico em O GLOBO

O Globo / Leo Martins
O Globo / Leo Martins

O jornal O GLOBO relata aqui que adotou um modo diferente de produzir conteúdo. O novo modelo de funcionamento chama-se edição contínua e a mim me parece um workflow bem próximo ao que chamaríamos de um processo pós-industrial de produção de notícias, ou seja, um processo incremental (escrevi sobre o jornalismo pós-industrial na introdução da minha tese de doutorado, caso alguém tenha interesse em saber mais).

Vale o registro :

— Os editores começam a dar expediente às 7h da manhã, com foco nos conteúdos online e também um mapeamento dos assuntos que, durante o dia, têm potencial para atrair o leitor das outras plataformas (antes, os editores chegavam à redação no começo da tarde e seu foco era a edição impressa).

— O trabalho diário é organizado a partir de três reuniões:  às 8h, um encontro com enfoque nas plataformas digitais (aqui, os editores definem os temas do dia e as apostas da web, decidem as atualizações de manhã e como elas serão distribuídas em suas equipes); ao meio-dia,  os editores analisam o andamento da produção e os temas principais da edição impressa; e às 16h é quando o jornal de papel começa a ganha uma cara: os editores propõem quais são os destaques de suas áreas e os editores-executivos elaboram a primeira página, a partir de mais uma reunião. É nela também que se define como será a homepage do site às 6h do dia seguinte.

 

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Perguntas embaraçosas para quem trabalha com jornalismo digital

O vice-presidente sênior de estratégia da News Corp, Raju Narisetti, listou aqui 25 perguntas bastante delicadas que deveriam ser feitas anualmente a quem hoje trabalha em uma Redação online (editores, repórteres, diretores, gestores). São questionamentos que supostamente ajudariam a guiar o processo de disrupção e inovação no jornalismo digital.

Agrupei essas 25 perguntas por afinidade, depois expurguei algumas e, por fim, cheguei numa listinha menor com 5 questionamentos-chave que julgo serem os mais importantes no contexto brasileiro. Ninguém precisa publicamente respondê-las, naturalmente. É uma forma de fomentar uma reflexão sobre como estamos conduzindo nossos projetos jornalísticos. Vejamos:

  1. MOBILE. Quantos profissionais da sua equipe estão dedicados a produzir para mobile e/ou criar serviços e novos produtos para celulares? A propósito, qual porcentagem de seu público acessa a sua marca jornalística via smartphone e qual era esse número há um ano?
  2. PROGRAMADORES NA REDAÇÃO. Aproximadamente quantos desenvolvedores (front-end e back-end) existem trabalhando hoje na sua Redação? Quem coordena eles?
  3. CONTEÚDO E AUDIÊNCIA. Quantos usuários chegam  – e vão embora – em seu site entre cinco e dez da manhã? Que horas é a sua primeira reunião de pauta? Para Redações que empacotam impressão + assinaturas digitais, qual a porcentagem de assinantes de impressão são registrados no site ou aplicativo da marca? Você os conhece (padrão de comportamento online)?
  4. EQUIPE. Você consegue listar as cinco mais importantes medidas de desempenho (formal e previamente já escritas) usadas para avaliar a sua Redação anualmente? O que é para você uma equipe jornalística de alta performance?
  5. PUBLICIDADE. Qual porcentagem de sua receita total de publicidade é digital? Desse total, quanto é proveniente de celulares? E quando foi a última vez que sua organização de notícias lançou um formato publicitário inovador que foi vendido mais de cinco vezes para os clientes nos últimos 12 meses?

Será que me esqueci de algo relevante? Fiquem à vontade para me ajudar nessa. 🙂

Lições do ISOJ para inovar em jornalismo digital

Eduardo Suarez (@eduardosuarez), correspondente do El Mundo em Nova Iorque, publicou aqui o que ele chamou das “sete lições do ISOJ  para inovar em jornalismo digital”. Segue um resumo com meus breves comentários:

1. conhecer a sua audiência [digo eu: isso significa um mergulho profundo nos dados de acesso, uma capacidade de identificar padrões de navegação, o que (sejamos honestos) nem sempre é tarefa fácil para os jornalistas às voltas com as pautas do dia a dia];

2. a publicidade não é o único caminho [a conclusão dos participantes do congresso: é quase impossível financiar o jornalismo de qualidade somente com anúncios; mas então quais são os outros caminhos?];

3. não deixe de experimentar jamais [na minha visão, isso quer dizer um mindset “Agile“, mentalidade ainda a ser construída nas Redações];

4. escolher um nicho [mesmo se for um meio jornalístico generalista, alguns temas merecem um perspectiva vertical, de fato];

5. o fim da televisão [não vejo isso acontecendo no Brasil a curto prazo];

6. a geração milênio [aqui temos um caminho a desbravar, é uma geração na qual eu prestaria a maior atenção];

7. menos notícias e muito mais contexto [sim, sempre, mas estamos a falar disso desde 1995 (lembram das previsões de Nora Paul feitas em 1995? 🙂 Na minha dissertação de mestrado eu comentei cada uma delas].

Para saber mais sobre como foi o ISOJ, recomendo clicarem aqui: nohacefaltapapel

Fugindo do “data porn”

Gustavo Faleiros e Chriss Cross.

Gustavo Faleiros (coordenador de projetos d’ O Eco, como o infoamazonia.org) e Chris Cross (designer de interação do The Guardian) partilharam ontem na Editora Abril suas experiências com geo-jornalismo e data viz. Para mim que lá estava, foi um alívio observar a importância que ambos conferem às narrativas jornalísticas. A fala dos dois deixou claro o seguinte: debaixo dos mapas, os dados; acima dele, a camada das histórias (com latitude e longitude bem marcadas). Sem histórias, o que nos resta? Dados amontoados e imagens com pouca provocação (apesar de lindíssimas). É o que Paul Bradshaw (@paulbradshaw) chamaria de data porn: “where journalists look for big, attention grabbing numbers or produce visualisations of data that add no value to the story”. Eu completaria: dados e visualizações que contam história alguma.

15 links selecionados sobre publicadores e plataformas de gerenciamento de conteúdos (CMS)

Atualizado em 19/07/2013.

Compilo neste post alguns links que recolhi neste primeiro semestre de 2013 sobre publicadores e plataformas de gerenciamento de contéudos, chamados usualmente de Content Management Systemns (CMS).

São links aos quais já recorri (tenho um capítulo na tese doutoral dedicado ao assunto) e sei que contêm informações interessantes.

Vamos lá:

  1. Um evento de referência sobre o assunto: CMS Expo
  2. Os maiores publicadores: Top 10 Content Management Systems (CMS).
  3. Os publicadores mais populares: 50 Most Popular Content Management Systems.
  4. Livro sobre estratégias de gerenciamento de contéudo: Managing Enterprise Content: A Unified Content Strategy (2nd Edition).
  5. Livro recém-lançado sobre uso de semântica em CMSs: “Semantic Technologies in Content Management Systems: Trends, Applications and Evaluations
  6. CMS do ponto de vista da usabilidade. “11 usability principles for CMS products.”
  7. Comparativo interessante. Relatório IdealWare 2010: “Comparing Open Source CMS Report“.
  8. CMS do ponto de vista dos negócios. O enquadramento teórico está bem elaborado. Browning, Paul & Lowndes, Mike. (2011). “JISC TechWatch Report: Content Management Systems“.
  9. TendênciasA Closer Look At Chorus, The Next-Generation Publishing Platform That Runs Vox Media
  10. Sobre interfaces administrativasUser Experience Trends for Admin Dashboards
  11. CMS e jornalismo4 ways content management systems are evolving & why it matters to journalists
  12. Texto de Tiago Doria: Back-end do jornalismo deve estar em constante transformação
  13. O publicador do New York TimesIntroducing ICE: Writing for the Web First
  14. O publicador da BBCBBC News website’s content management and publishing systems
  15. O publicador do Guardian: How the Guardian’s custom CMS & API helped take content strategy to a traditional publisher