STARTUPS DE JORNALISMO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES DE INOVAÇÃO

Artigo publicado na Contemporanea – Revista de Comunicação e Cultura –  Dossiê Temático Inovação no Jornalismo: escopo e percursos, editado por Marcos Palacios e Suzana Barbosa (POSCOM/UFBA). v. 15, n. 1 (2017).

RESUMO

Muitas vezes confundido com “jornalismo empreendedor” ou “jornalismo freelance”, o chamado “jornalismo de startup” transporta em seu próprio nome contornos ainda pouco explorados na literatura científica. A proposta desse artigo é mapear as diferenças, semelhanças e particularidades desses enunciados, buscando refletir sobre como é apresentada a ideia de inovação em cada um deles. Ao final, traz pistas de investigação para posteriores estudos sobre startups jornalísticas e transformações inovadoras no mercado da comunicação.

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Possibilidades narrativas em dispositivos móveis (Covilhã, 2014)

Bertocchi, Daniela; Camargo, Isadora Ortiz; Silveira, Stefanie C. Possibilidades narrativas em dispositivos móveis. Congresso Internacional Jornalismo e Dispositivos Móveis. Universidade Beira Interior. Portugal. 2 e 3 de Dezembro de 2014.

Resumo:

O formato da narrativa jornalística ganha substância na interface gráfica. O design da interface é o lugar onde o formato narrativo ganha vida aos olhos de quem o acessa e com ele interage, construindo uma experiência narrativa (BERTOCCHI, 2013). Refletir sobre o formato de uma narrativa é refletir sobre a arquitetura que os usuários irão vivenciar, considerando telas em diversos tamanhos e algoritmos que ordenam visualizações de dados, inclusive em interação com outros sistemas. Para analisar formatos no jornalismo digital móvel, é preciso trazer à análise a questão da arquitetura de informação da interface. Tal como defendida por Resmini & Rosati (2011), a arquitetura de informação pervasiva pode ser analisada a partir de cinco elementos-chave. Aqui, nos interessa o aprofundamento em três: [1] Resiliência (capacidade de adaptar-se às necessidades do usuário); [2] Redução (capacidade de reduzir o estresse associado ao gerenciamento de muita informação); e [3] Correlação (capacidade de sugerir relevantes correlações entre peças de informação). Tomando-os como método, neste trabalho, além da discussão teórica, observaremos dois exemplos. O primeiro é um aplicativo do jornal The New York Times para smartphones, o NYT Now, que entrega ao leitor informações curadas por profissionais editores. O segundo é o aplicativo agregador de notícias, Flipboard, onde a curadoria é feita por algoritmos e publicadores robôs. Com esse recorte, queremos apresentar uma observação de soluções de arquitetura de informação para dispositivos móveis organizadas com mecanismos distintos, humano e máquina.

O jornalismo e os clichês da profissão

#quemnunca O jovem jornalista, recém saído da faculdade, começa a trabalhar na Redação. Passam-se uns dois ou três anos e diz: “Tudo o que aprendi sobre jornalismo foi na prática da Redação. A Redação para mim foi uma escola. Não aprendi *nada* na faculdade!”. (Coitado de seus professores, que tanto se esmeraram para debater em sala de aula as nobres questões sobre o jornalismo). Bem, mas lá pelos trinta anos (ou até menos), aquele mesmo jovem jornalista, agora um pouco mais maduro, começa a repensar seu contexto de trabalho e a reverberar por aí: “A Redação nos emburrece. Só trabalho com as mãos, não reflito mais. Meu trabalho é mecânico. Todo dia a mesma coisa, os mesmos processos. Está tudo errado. Preciso voltar à universidade. Preciso voltar a estudar. Quero fazer uma pós”. Pois é. São os clichês da profissão. Talvez de todas, né?

 

Como escrever títulos para o jornalismo digital (ou não)

No mundo digital, os títulos são determinantes: se bem elaborados, podem trazer uma bela audiência para uma produção jornalística online; se mal preparados, podem, por outro lado, reduzir a possibilidade de acesso ao conteúdo (sobretudo via buscadores como o Google). Neste caso, ficam vagando. pelo limbo da internet. Isso porque títulos são clicáveis e indexáveis; suas palavras funcionam como tags interligadas com outras palavras, conteúdos e preferências de usuários.

Por conta disso, vale a pena observar sua anatomia e comportamento no ecossistema digital. Abaixo, apresento as fórmulas de títulos hoje consideradas de alta performance. É uma lista (não exaustiva) que nasce da observação do que vejo jorrar aos borbotões nos principais jornais, sites e portais informativos mundo afora. Se eu os considero todos bons títulos jornalísticos? Não. Mas acho importante investigá-los.

Vejamos o que anda acontecendo no jornalismo online:

  • 1 – Fórmula do paradoxo
    [coisas antagônicas funcionando bem juntas]
    Exemplos:
    Quem mais aqui quer mais diversão e menos estresse nas férias?
    Quem mais aqui quer um batom lindo e que não borra na hora do beijo?
    Como pedir demissão e ainda fazer mais dinheiro
    Como oferecer uma festa de casamento gastando pouco
  • 2 –Fórmula do mistério revelado
    [o segredo de alguma coisa difícil de conseguir]
    Exemplos:
    O segredo de uma vida sempre saudável
    O segredo para manter o peso após a dieta
    O segredo para conseguir um financiamento da casa própria
  • 3 –Título da fórmula milagrosa
    [solução de problema qualquer de uma vez por todas ou num curto espaço de tempo]
    Exemplos:
    Livre-se da enxaqueca de uma vez por todas
    Livre-se do mau hálito de uma vez por todas
    Como se livrar de um chefe chato de uma vez por todas
    Como falar espanhol como um nativo
    Como publicar um livro (e fazer dele um best-seller)
    Emagreça 5 quilos este mês
    Como montar uma festa infantil em uma semana
    Confira 5 dicas para economizar até R$ 700 em um ano na conta de luz
  • 4 –Título para não ficar de fora da conversa
    [o que toda/o mulher, homem, mãe, profissional precisa saber sobre um assunto]
    Exemplos:
    O que toda mulher precisa saber sobre orgasmo
    O que todo marido precisa saber sobre sua mulher
    10 coisas que você deveria ter em casa aos 30 anos
    5 direitos trabalhistas que todo profissional deve conhecer
    15 coisas que você não deve falar em entrevistas de emprego
  • 5 –Fórmula da advertência
    [erros que você não deve cometer]
    Exemplos:
    5 erros que pode estar cometendo no seu email sem saber
    11 erros fatais na hora de estudar para concursos públicos

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Em tempo: sobre o assunto, recomendo a leitura: 

SALAVERRÍA, Ramón (2005) Redacción periodística en internet. Pamplona: Eunsa. (ISBN: 84-313-2259-4).
DÍAZ NOCI, Javier y SALAVERRÍA, Ramón (coords.) (2003) Manual de Redacción ciberperiodística. Barcelona: Ariel. 592 págs. (ISBN: 84-344-1297-7)
RODRIGUES, Bruno (2014). Webwriting – Redação para a Mídia Digital. Editora Atlas.

Leituras recentes

[1] #semantics Há muitos anos venho escrevendo sobre (web) semântica e comunicação digital (vejam os textos em meu site danielabertocchi.com), analisando a relação homem-algoritmos-mensagens e ressaltando a importância do olhar humano neste processo comunicacional. Bem, o exemplo abaixo evidencia o que quero dizer. O que, afinal, significa CHUCHU? Is it just “semantics”? O software não errou, foi super coerente — só não possui a sutileza e o bom senso do homem.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/08/1499347-erro-no-facebook-associa-picole-de-chuchu-a-perfil-oficial-de-alckmin.shtml

[2]  #pagenotfound‬ Veja essa: o BuzzFeed volta ao passado e apaga conteúdos já publicados. Voltam lá aos arquivos (quietinhos) e deletam o que consideram *hoje* conteúdos com pouca qualidade editorial e até com um “bad UX”. Agora imagina se um jornal ou uma revista tradicionais resolve jogar fora os seus arquivos em papel (queima tudo!) porque ponderou, ulteriormente, que suas notícias não têm mais qualidade ou foram mal diagramadas. E aí, pode?

Fonte: http://www.slate.com/articles/technology/technology/2014/08/buzzfeed_plagiarism_deleted_posts_jonah_peretti_explains.single.html

[3] #grátis Cursos online que exploram conceitos de design de interface, arquitetura de informação, usabilidade, psicologia da interação e afins… tudo pela internet e gratuitamente.

FONTE: https://www.interaction-design.org/courses

[4] #mercado-academia Cinco profs de jornalismo passam o verão (nosso inverno) mergulhados em grandes redações e então reformulam seus planos de aula com base no que observaram.

FONTE: http://www.niemanlab.org/2014/08/after-a-summer-back-in-the-newsroom-journalism-professors-are-headed-back-to-the-classroom/

[5] #eyetracking Como nossos olhos se movem para ler um site? Em “F”. Confira neste infográfico.

Fonte: http://www.digitalinformationworld.com/2014/08/eye-tracking-101-how-our-eyes-move-on-a-website-infographic.html

[6] #vidapósmoderna‬ A geração nem-nem e o Zygmunt Bauman. É sempre culpa da pós-modernidade. Texto aqui.

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/empregos-e-carreiras/noticia/2014/08/diferentes-entre-si-jovens-que-nao-trabalham-nem-estudam-desafiam-rotulo-de-geracao-nem-nem-4570197.html

[7] #foresight Steve Outing, jornalista e analista do mundo digital, publicou em seu blog uma série de estudos que utilizam métodos de “Foresight” para compreender o futuro do jornalismo e das indústrias de notícias. Neste texto, ele apresenta três possíveis cenários para o futuro do jornalismo.

Fonte: http://mediadisruptus.com/2014/08/06/scenarios-whats-likely-newspapers/

[8] #pósnausp Pensando em fazer Mestrado ou Doutorado em Comunicação na ECA-USP? Saiu o edital deste ano.

Fonte: http://www3.eca.usp.br/sites/default/files/form/ata/pos/PPGCOM%20EDITAL%202015%20PARA%20PUBLICA%C3%87%C3%83O.pdf

[9] #homepage Como costumo dizer: o Facebook é a home do seu jornal. Concorda? Texto aqui.

Fonte: http://pando.com/2014/07/24/facebook-is-no-longer-a-social-network-its-the-worlds-most-powerful-news-reader/

[10] #auladejornalismo Obra para figurar na bibliografia básica das graduações de Jornalismo. Saindo do forno: Webwriting – Redação para a mídia digital, de Bruno Rodrigues (2014).

Fonte: http://www.editoraatlas.com.br/atlas/webapp/detalhes_produto.aspx?prd_des_ean13=9788522488865

[11] #notatall Pensa só: para que manter um website se todo o seu conteúdo poderia nascer e se rentabilizar em outras plataformas — direto no Facebook, por exemplo (já que é de onde a maioria do tráfego de referência vem de qualquer maneira mesmo)?  É o que o BuzzFeed pensa: “And the future of BuzzFeed may not even be on BuzzFeed.com. One of the company’s nascent ideas, BuzzFeed Distributed, will be a team of 20 people producing content that lives entirely on other popular platforms, like Tumblr, Instagram or Snapchat.”

Fonte:  http://www.businessinsider.com/buzzfeed-and-the-future-of-media-2014-8#ixzz3A7sVdUGE

[12] #pesquisas Estudos na área da comunicação digital que acabaram de sair do forno (em língua inglesa). Compilação do Nieman Lab.

Fonte: http://www.niemanlab.org/2014/07/whats-new-in-digital-and-social-media-research-what-makes-commenters-less-civil-and-the-rise-of-digital-longform/

[13] #auladejornalismo Resultado de atividade conjunta das disciplinas de Jornalismo Online e Projetos de TV da ECA-USP: uma reportagem multimídia a crise de água em SP.

Fonte: http://www.2000eagua.com.br/

[14] #bolsadeestudo Bolsa de £6.000 (US$10.250) para um aspirante a correspondente estrangeiro passar seis semanas no exterior, pesquisando e reportando sobre uma notícia estrangeira para o jornal Times de Londres. É preciso ter domínio do inglês.

Fonte: http://ijnet.org/pt-br/opportunities/jornal-times-de-londres-oferece-bolsa-de-reportagem-internacional

[15] #modelosdenegócio “Um ano terrível para os jornais, mas um bom ano para as notícias”. Derek Thompson fala que “Não existe um ‘negócio de notícias’. Existem muitas empresas diferentes que usam vários (e, às vezes, totalmente opostos) métodos de financiamento de produção de artigos. E os poucos negócios que podemos identificar agora podem significar o início de um grupo mais vasto de modelos de publicação que não podemos sequer imaginar. Se essa evolução vai ser bom para o jornalismo é complicado dizer…”. Texto completo aqui.

Fonte: http://www.theatlantic.com/business/archive/2014/08/a-terrible-year-for-newspapers-a-great-year-for-news/375859/

Os posts acima foram publicados em minha página no FB ao longo da primeira quinzena de Agosto de 2014.