“A arma secreta para o jornalismo na era digital? O papel!”

Esse é o mote que a WAN – Associação Mundial de Jornais coloca em debate na 11th. Readership Conference que ocorre nesse momento em Amsterdã, Holanda, reunindo executivos de jornais de todo o mundo para pensar em estratégias que ampliem o índice de leitura dos jornais, tanto na plataforma impressa quanto na digital.

Acompanhando as declarações dos participantes, vemos que o velho debate entre meios impresso e digital ainda está firme e forte, e a preocupação com a sobrevivência do meio papel é central entre os publishers mundo afora. Segundo a WAN os jornais são, hoje, uma ilha de tranquilidade diante do caos digital e uma “força emergente ” para a indústria da mídia, e que merecem atenção. O discurso de abertura da conferência, proferido pelo colunista e autor William Powers, veio recheado de afirmações polêmicas para os defensores mais ardorosos da mídia digital. Traduzo a seguir algumas delas:

William Powers
William Powers

O mundo precisa – realmente precisa – daquilo que os jornais fazem. A mídia digital possui vantagens bem conhecias, mas as pessoas geralmente ignoram o lado bom dos jornais. As empresas jornalísticas deveriam explorar melhor estas vantagens qualitativas. Entre elas, o jornal impresso tem a capacidade de liberar a mente para o livre pensar”.

“A maior força do meio impresso é que ele possibilita a mente ‘instalar-se’ num estado de paz interior que nos faz pensar melhor. Tal estado é mais difícil de ser alcançado quando estamos lendo um meio digital, onde a informação é infinita e a possibilidade de executarmos tarefas simutâneas nos tira a atenção. Na internet não existe começo e fim”.

“O fato do papel estar desconectado do ‘grid digital’ não é um atributo negativo. É a arma secreta do jornal, favorecendo sua sobrevivência. Em um mundo multi-tarefa, onde foco é algo difícil, acredito que o meio papel seja um ponto de fuga para a conscientização e a alternativa para a aceleração das telas“.   

Por outro lado…

O mesmo Congresso trata de temas opostos. O representante da Mobile Europe da Reuters, Ilico Elia, sugere que as empresas de mídia deveriam considerar as plataformas móveis como parte integrante de suas estratégias e não como um empreendimento paralelo. Segundo ele: “a primeira ação: disponibilize seu conteúdo para o telefone celular”.

Alguns outros palestrantes são mais ousados e afirmam que num futuro breve o texto já não será tão necessário para expressar a informação. O Diretor de Planejamento Estratégico da Agência France-Presse, Eric Scherer acredita que gráficos e infográficos explicam muito melhor a informação para usuários de ritmo de vida acelerado e que utilizam plataformas móveis, por exemplo.

Bem, fica aqui apenas uma amostra do embate. Penso que não existe esse processo de papel é melhor ou meio digital vai predominar. Cada um deles têm vantagens e desvantagens, possuem seus espaços próprios mas, infelizmente, o que ainda vemos são discussões sem fim na defesa de um e de outro.

(Beth Saad)

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3 thoughts on ““A arma secreta para o jornalismo na era digital? O papel!”

  1. Entendo que essa análise olha demais para o presente, ainda muito baseada nas gerações que aprenderam a consumir informação fora das mídias digitais. Isso deve mudar relativamente rápido, especialmente porque a simultaneidade e o vai-e-vem de troca de contextos já é uma segunda natureza para os mais jovens. E vale lembrar, também, que nem todo dispositivo conectado à Internet facilita a execução de tarefas em paralelo como um computador.

  2. Achei um pouco esotérico esse negócio do papel oferecer “paz interior” e concordo com o Targa: para as novas gerações, talvez “paz interior” seja pular rapidamente de um conteúdo ao outro…por um lado acho que realmente os donos dos jornais não estão sabendo explorar as qualidades do meio impresso. Hoje preferi comprar um jornal especializado em economia, por exemplo, do que outro “generalista”, embora, depois, eu vá acessá-lo gratuitamente na rede e lê-lo do mesmo jeito. Mas no impresso dei preferência para gastar dinheiro com informação diferenciada.

  3. concordo com a frase “Na internet não existe começo e fim” e acho que isso sim é positivo e leva ao livre pensar, já que são infinitas as possibilidades de leituras e links, basta apenas ter disponibilidade para tanto…

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