Digital Age 2.0: o dilema da super-exposição da marca, do produto, da pessoa

Mais uma vez as idéias dos palestrantes convergiram durante o Digital Age 2.0. Falo agora de Seth Godin e Danah Boyd que seguem no mesmo rumo quando discutem o uso das redes sociais como um inevitável espaço de exposição. Conseqüentemente, caímos na conhecida discussão entre público e privado, bastante explorada por autores do campo da Comunicação como Pierre Bourdieu. Vejam o que dizem Seth e Danah, cujas idéias são aplicáveis a produtos, marcas, idéias, pessoas, grupos, enfim, a qualquer entidade que esteja envolvida numa ação ou ambiência 2.0.

Sobre a privacidade exposta, Danah Boyd afirmou: “Seja público por defaut e privado quando necessário“. É um conceito forte, mas coerente com a lógica das redes sociais, já que em qualquer site desse tipo é básica a inserção de um significativo volume de informações pessoais (ou específicas no caso de produtos e marcas) verdadeiras, reais. O resultado desse exercício de exposição pública (ou de coletivização do privado para ser mais “conceitual”) é que as redes sociais constituem-se naturalmente numa audiência segmentada, dirigida e com potencial de escalabilidade preciosos para o mercado anunciante. Portanto, é possível inferir que ao participar de redes sociais (uma ação voluntária e autônoma por parte do usuário) se autoriza a recepção de mensagens de cunho comercial, publicitário ou promocional externas à própria rede.

Danah Boyd faz o alerta, mas reforça a segunda parte de sua frase: “seja privado quando necessário”. Ao mesmo tempo se as redes sociais são públicas elas possuem mecanismos de privacidade totalmente controlados pelo usuário. Sentiu-se invadido em sua privacidade? Acione as ferramentas!

Seth Godin oferece explicações bastante objetivas para se enfrentar o paradoxo entre a super-exposição e a super-proteção. Especialmente para o caso de produtos e marcas interagindo com usuários 2.0, Godin recomenda posicionamentos extremos como solução de sobrevivência.

Uma representação invertida da curva normal é utilizada por Godin para didatizar sua visão: a presença de uma marca ou produto na rede hoje passa por escolhas entre participar do grupo pioneiro de empresas que aceitam as regras do mundo 2.0 ou compor a massa que ainda funciona em ritmo de clicks, visitantes únicos, anúncios publicitários e similares.

Ao escolher um posicionamento vencedor, a empresa tem duas opções: a ubiqüidade ou a super-exposição, significando participar ativamente de todas as iniciativas disponíveis do mundo 2.0, abrindo conteúdos e informações, oferecendo downloads, agindo como mediador entre os participantes de redes, por exemplo; ou a opção da exclusividade (ou scarcity, no dizer de Godin) onde o perfil e o produto disponibilizados não podem ser replicados e remixados pelos participantes das redes sociais, mas mesmo assim, permanecesm desejados. Não escolhendo os extremos da curva normal, para Seth Godin, é cair na vala comum dos perdedores.

Em tempo:

Fiz um exercício pessoal de meu posicionamento como usuária de redes sociais e fiquei um tanto surpresa com os primeiros indícios…Estaria eu mais para ubíqüa ou para escondida? Interrompi o processo na etapa de listagem de atividades 2.0: blogs, redes, micro-blogs, sites, etc, etc. já que não fazia idéia do tamanho de meu envolvimento. Se continuasse, iria partir pro “delete identity“…..Vale a pena! Aliás entrei nessa inspirada pela máxima de Boyd, pelo gráfico do Godin e pela sugestão da Dani Bertocchi em criar um ClaimID prá gente. Divertido.

(Beth Saad)

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3 thoughts on “Digital Age 2.0: o dilema da super-exposição da marca, do produto, da pessoa

  1. (quase) à parte da discussão privado x público, creio que para as marcas é fundamental entender o relacionamento espontâneo que surge entre seus consumidores 2.0, para poder se relacionar da melhor forma. E mais: mesmo sem apostar na super-exposição, as marcas precisam, cada vez mais, monitorar o que acontece nesse universo (ou a situação pode se tornar incontrolável).

    Bacana o blog, voltarei mais vezes.

  2. Com o consumidor cada vez mais integrado na grande rede (via notebook, PC, tables ou mobile), é quase que mandatório que as empresas acompanhem esse consumidor aonde quer que ele esteja. Foi-se o tempo de garantir apenas o espaço do produto na gôndola, investir em anúncios de página dupla em revistas de grandes circulação. Soma-se a essa visibilidade publicitária, a exposição online: website bem estruturado, perfis oficias nas principais plataformas de rede social, blogs corporativos. O consumidor tem o poder de decidir quando e como quer interagir com uma marca. Resta às (muitas) empresas, saber lidar com esse consumidor colaborativo.

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