Medo recorrente?

Matéria publicada hoje no AdNews sobre a preocupação da TV Globo com as novas mídias (um tanto tardia?) tirou de meus arquivos uma entrevista que Manuel Castells deu ao jornal espanhol El País em Janeiro de 2008 sob o significativo título El poder tiene miedo de Internet.  

O problema específico da Globo é com a multiprogramação da TV digital, a queda de audiência da TV aberta e o impacto no tradicional modelo de negócio calcado na publicidade e não nas necessidades do usuário. Segundo declarações de seu diretor de engenharia, Fernando Bittencourt e comentadas pelo AdNews:

“No cenário de mídia, falando do passado, nós éramos felizes e não sabíamos. Isso há dez, 15 anos. A única forma de ver televisão era pelo ar”, disse, lembrando o avanço da web, em declaração publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. O executivo rechaçou também qualquer possibilidade de a emissora aderir à transmissão de vários canais em um mesmo espectro na TV digital. Alegou que a medida não trará mais anunciantes e , por isso, não há motivos para investimentos. “A TV aberta sobrevive de publicidade –essa não sabe se é analógica ou digital, quem sabe é a gente. Nós não temos dinheiro novo na TV digital. Então, se você assumir a multiprogramação, significa que o dinheiro que a gente tem é o mesmo para produzir mais de um, dois programas”.

Se concordarmos que as Organizações Globo representam significativo poder no cenário da indústria da informação brasileira e que tal poder tem forte vínculo com o controle da sociedade (e da opinião de seus membros) por meio do controle da informação, então teremos que dar crédito às opiniões de Castells: o medo recorrente e eterno surge pela perda do controle social que a internet possibilita. A questão do modelo de negócio é secundária. Do mesmo modo a falta de recursos para uma produção digital específica. Vejam o que diz Manuel Castells:

“Todos sabemos que las malas noticias son más noticia. Usted utiliza Internet, y sus hijos, también; pero resulta más interesante creer que está lleno de terroristas, de pornografía… Pensar que es un factor de alienación resulta más interesante que decir: Internet es la extensión de su vida. Si usted es sociable, será más sociable; si no lo es, Internet le ayudará un poquito, pero no mucho. Los medios son en cierto modo la expresión de lo que piensa la sociedad: la cuestión es por qué la sociedad piensa eso.

P. ¿Por miedo a lo nuevo? [pergunta o repórter de El País]

Exacto. Pero miedo, ¿de quién? De la vieja sociedad a la nueva, de los padres a sus hijos, de las personas que tienen el poder anclado en un mundo tecnológica, social y culturalmente antiguo, respecto de lo que se les viene encima, que no entienden ni controlan y que perciben como un peligro, y en el fondo lo es. Porque Internet es un instrumento de libertad y de autonomía, cuando el poder siempre ha estado basado en el control de las personas, mediante el de información y comunicación. Pero esto se acaba. Porque Internet no se puede controlar.

Recomendo a leitura na íntegra das dus matérias e tirem suas próprias conclusões. No fundo, mesmo, o grande medo está na “desconfortável” convivência numa sociedade de múltiplas vozes…

(Beth Saad)

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