O pesquisador do futuro (não sabe pesquisar?)

71559744.jpgO uso que é feito da internet pela “Geração Google” é superficial, promíscuo e rápido.

Isso é o que nos diz o professor Ian Rowlands, da University College de Londres, após realizar o estudo “O Comportamento Informativo do Pesquisador do Futuro“.

As aspas foram publicadas na Folha de S. Paulo do último dia 9. Rowlands afirmou à Folha, por telefone, de Londres, que

Acadêmicos mais jovens não estão usando conteúdo de bibliotecas de uma maneira séria. Usam o Google, porque é mais conveniente. Isso vai limitar seus horizonte de pesquisa

A sociedade está emburrecendo

Passam os olhos por títulos, índices e resumos vorazmente, sem leitura real”.

Até professores, que supostamente teriam meios mais sofisticados para buscar e analisar informações, mostram as mesmas tendências”

Meu instituto gasta uns US$ 4 milhões por ano em publicações acadêmicas, mas os alunos preferem ferramentas simplistas. É frustrante”


Outras opiniões:

Nunca foi feita tanta pesquisa e de tão boa qualidade quanto atualmente, graças à internet” – Aldo Barreto, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia

A internet tem problemas, mas está no caminho da auto-regulação” – Lawrence Shum, especialista em mídias digitais da PUC de São Paulo.

A biblioteca dá a ilusão de que o conhecimento está todo ali e é inquestionável. Na internet, o resultado é sabidamente instável e não vai ser usado cegamente. Mas é preciso treino adequado.” – Carlos Frederico D’Andrea, coordenador do Laboratório de Comunicação Digital do Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte.

E você, pesquisador, o que pensa?

Advertisements

11 thoughts on “O pesquisador do futuro (não sabe pesquisar?)

  1. Oi, Daniela, legal a reportagem repercutir por aqui.

    Reafirmo o que disse na entrevista à repórter: ao privilegiar critérios sociais, as ferramentas de busca escancaram o jogo de poder entre usuário/leitor, autor e o profissional da informação (bibliotecário) e obrigam-nos a assumir uma postura crítica e ativa perante informações tão facilmente encontradas.

    Publiquei um post a partir da reportagem:
    http://novasm.blogspot.com/2008/02/gerao-google-e-as-bibliotecas-20.html

  2. Reparo nas pesquisas de algumas pessoas da faculdade, e de fato, usam e abusam do google, wikipedia e afins.
    As ferramentas da web são ótimas se elas fossem utilizadas com o objetivo de uma pesquisa superficial, para depois levar a um aprofundamento.

    O Problema está nas pessoas que acham que a pesquisa na web é o suficiente para fundamentar algum trabalho acadêmico.

  3. Reparo nas pesquisas de algumas pessoas da faculdade, e de fato, usam e abusam do google, wikipedia e afins.
    As ferramentas da web são ótimas se elas fossem utilizadas com o objetivo de uma pesquisa superficial, para depois levar a um aprofundamento, através de livros e outros trabalhos acadêmicos.

    O Problema está nas pessoas que acham que a pesquisa na web é o suficiente para fundamentar algum trabalho acadêmico.

  4. Sites de busca permitem pesquisas rápidas e pontuais e até de qualidade, SE E SOMENTE SE, houver um boa estrutura conceitual da parte do pesquisador.
    Porém, tal abordagem mais complexa não se adquire, grosso modo, na internet….
    Digamos que livro seja uma “ferramenta” de acúmulo de informações estruturadas em conceitos mais eficiente do que grande parte das tecnologias digitais de informação.
    Ninguém, provavelmente, lê, de forma mais completa, Hegel ou Borges na internet. Ainda que lá eles possam estar em formato PDF…
    Uma adequada combinação das ferramentas tradicionais com as digitais pode ser a melhor opção.

  5. Concordo que a Internet permite apenas uma pesquisa mais superficial. No entanto, a tendência atual é de que ela seja usada como única fonte de informação. As explicações dos usuários são as mais diversas, mas a principal é em função do tempo, da facilidade. Também concordo com tais explicações, no entanto creio que devemos visar mais a qualidade do que a agilidade.

  6. como estudante, não tenho dúvida, pelo que observo, que a biblioteca é para muitos um sítio inútil. isso é, também consequência da realidade de hoje, em que o ecrâ do Pc roubou o lugar ao papel do livro ou do jornal.
    eu, que não troco o papel por nada, vejo a internet como complemento e não como substituto à informação (mais rigorosa e detalhada) que os livros e jornais nos oferecem.
    é pena que a comodidade esteja a tirar o lugar à vontade de saber as coisas com rigor…

  7. O alerta do professor Ian Rowlands não deveria nos chocar, mas a “geração google” está com toda força. São poucos os que ainda buscam nas fontes tradicionais o conhecimento, e talvez, a principal desculpa seja a falta de tempo.

  8. pois é, Dani, como sempre me parece que se trata de nem tanto ao mar, nem tanto ao céu… não me parece que a pesquisa via internet irá emburrecer as pessoas bem como não me parece que a biblioteca faça o conhecimento produzido inquestionável… um meio termo é mais conveniente

  9. O que poderia realmente diagnosticar essa impressão é pesquisa. Pesquisa quantitativa, númerica, de acompanhamento dos leitores (e ainda tem a margem de erro, a amostragem). Parece (impressão minha) que a gente tende a achar que no passado sempre fazíamos as coisas melhores: líamos mais, estudávamos mais, o mundo era mais ético, etc. Não era.

    Outra impressão minha é que, com tanto texto rolando na web, talvez se leia muito mais hoje. A qualidade é questionável? Tem que ter pesquisa para saber. Antes da web, a gurizada jogava video-game; antes, jogava bola na rua. Hoje, quem pode, tá em casa, navegando, trocando idéias, criando myspaces da vida, querendo ser músico, etc.

    Depois, leitores de literatura da boa, que é o que deveria interessar mesmo, nunca foram expressivos. São clãs. É uma coisa que requer gosto, tempo, livros à di$posição, etc. Pouca gente realmente lê. E nada garante que aprender torna a vida da pessoa melhor. Uns piram no meio do caminho também. Existem bandidos e corruptos cultos.

    Mais: antes do Google, copiava-se da Barsa. Antes da Barsa mal havia escolas, necessidade de capacitação profissional, etc. A web só dá continuidade aos comportamentos que tínhamos antes, não cria muita coisa nova não. É isso, abraços

  10. Eu acredito que a internet dá pra gente a possibilidade de saber da existência de fontes que jamais vamos encontrar em bibliotecas físicas. O lance todo é que existe material ruim tanto na web quanto nos livros. Então, o que sempre digo é: vamos ter critérios para usar. É claro que os alunos estão sempre procurando o mais rápido possível e sequer lêem.. Isto acontece muito nos trabalhos acadêmicos. Mas daí falar que as pesquisas caíram em qualidade, não sei se é parâmetro.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s