O jornalismo brasileiro em 2007

Sobre o ano que passou:

1) “Nem retrospectos nem previsões, a hora é das perguntas“, por Alberto Dines no O.I.

2) “Algumas novidades e poucos progressos“, por Venício A. de Lima no O.I.

3) Abaixo, uma cronologia mensal do jornalismo no Brasil ao longo de 2007 elaborada pelo portal Comunique-se:

Janeiro
• Logo nos primeiros dias do ano, a justiça mandou que provedores brasileiros bloqueassem o acesso ao YouTube. A medida foi derivada de uma ação da apresentadora Daniela Cicarelli após o site exibir imagens em que ela aparece fazendo sexo em uma praia espanhola. A justiça voltou atrás, não antes do caso ganhar repercussão mundial.

• A revista Veja foi condenada a indenizar o editor de Istoé Dinheiro, Leonardo Attuch, após publicar o texto “O mais vendido”, em que o chama de “negociante de notícias”, entre outros. A nota informa que os números de vendas de um livro de Attuch foram infladas pela editora. A revista escapou de publicar a sentença, mas trouxe uma retificação.

• O ex-ministro chefe da Secom Luiz Gushiken conseguiu colocar Attuch e dois colaboradores de Veja, Diogo Mainardi e Lauro Jardim, do mesmo lado. Em um e-mail à Polícia Federal – e cedido para divulgação a Paulo Henrique Amorim –, Gushiken pede a investigação dos jornalistas por um suposto complô.

• No início do processo do que seria a TVJB, 25 pessoas foram demitidas na CNT de Curitiba.

• Hugo Chávez esteve no Rio de Janeiro para cúpula de líderes do Mercosul. E profissionais que cobriram o encontro deram sua opinião sobre o líder venezuelano.

• Cassio Politi estreou como o primeiro ombudsman do C-se.

Fevereiro
• Funcionários da Editora Três promoveram a primeira paralisação do ano. Até maio, foram promovidas ainda outra parada e uma greve efetiva; Opportunity e CBM foram tidos como possíveis compradores da Três; e, mesmo após um aporte de R$ 5 milhões do grupo de Tanure, Domingo Alzugaray manteve o controle da empresa – com uma reformulação e a demissão de 240 pessoas.

• No carnaval, Evandro Teixeira e outros fotojornalistas foram homenageados pela Unidos da Tijuca.

• O Senado criou sua comissão de comunicação. O presidente da comissão, senador Wellington Salgado (PMDB-MG), destacou-se mais pelo apoio a Renan Calheiros.

• Ancelmo Gois estreou seu site, São Paulo ganhou rádio exclusiva sobre trânsito e Luiz Gonzaga Mineiro deixou a direção de jornalismo do SBT, dando lugar a Paulo Nicolau.

Março
• Em março, veio à tona a idéia do que se tornaria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), alvo de um bombardeio de críticas de todas as vertentes da mídia brasileira.

• O ministério do segundo mandato foi definido, com dois jornalistas tomando posse: Franklin Martins, na Secom, e Miguel Jorge, no Desenvolvimento.

• Uma construtora foi declarada vencedora de licitação para assessoria de imprensa do Ministério dos Transportes, com um lance de R$ 0,01 de diferença. A empresa acabou sendo considerada inabilitada.

• A Record teve duas conquistas: a compra das rádios e TVs Guaíba, do RS, e a exclusividade das transmissões das Olimpíadas de 2012.

• A Folha de S. Paulo anunciou novos ombudsman e colunista: Mario Magalhães e Ruy Castro, respectivamente.

• O debate sobre a classificação indicativa ganhou corpo na sociedade. O governo acabou excluindo qualquer análise prévia da portaria final.

• O C-se lançou seu site de produtos para relações públicas.

Abril
• A TVJB entrou no ar, tendo Boris Casoy como seu principal jornalista. Em setembro, o canal não existia mais.

• Daniel Barbara, recém-nomeado principal executivo da CBM, deu entrevista ao C-se afirmando que a salvação da Editora Três seria fazer parte do grupo. A colocação gerou reação da direção da editora, lamentando as palavras de Barbara.

• Octavio Frias de Oliveira, publisher de Folha de S. Paulo, morreu no dia 28/04, gerando reações na mídia e no governo.

• Record e Globo disputaram imagens exclusivas da Polícia Federal. Embate semelhante já tinha ocorrido.

• Alberto Dualib, então presidente do Corinthians, acusou uma colunista do Lance! de furtar uma cópia de contrato.

Maio
• Luiz Carlos Barbon Filho, jornalista de Porto Ferreira (SP), é assassinado com dois tiros de espingarda. Até hoje, o crime não foi solucionado.

• Hugo Chávez cumpre a ameaça e não renova a concessão da RCTV.

• O Meio&Mensagem demitiu o editor-chefe, Costábile Nicoletta, após a publicação de informações sobre a colaboração de Octavio Frias com a ditadura. O episódio causou grande desconforto na redação. Costábile trabalha atualmente na Gazeta Mercantil.

• O Jornal do Brasil traz, em sua primeira página, fotos de atores como traficantes. Em vez de uma retratação, o diário fez uma suíte.

• Para continuar nos Estados Unidos, Heloisa Villela troca a Globo pela Record.

• Dacio Malta e Eucimar de Oliveira deixam O Dia alegando ingerência em favor do governo do Rio de Janeiro pelo jornal.

• Estudo da Abraji mostra que somente 3,6% de órgãos estaduais repassaram informações que deveriam ser públicas.

Junho
• Alegando falta de retorno, o iG acaba com o NoMínimo. No mesmo mês, o iG anuncia Mário Vitor Santos como ombudsman.

• Paulo Markun toma posse como diretor da Fundação Padre Anchieta.

• O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) decide restringir que atletas mantenham blogs durante o Pan.

• O C-se organiza seu primeiro “Papo na Redação” em vídeo, com Boris Casoy. Até o fim do ano, Heródoto Barbeiro, Milton Neves, Ricardo Boechat, uma equipe da NBC e Ricardo Kotscho passariam pelo chat.

Julho
• Congonhas é palco do maior acidente aéreo da história brasileira. A TAM foi acusada de “blindar informações”. Mais de 12 horas após a tragédia, o site da Infraero só trazia informações institucionais. O Uol publicou uma fotomontagem como verdadeira. Uma jornalista gaúcha e dois funcionários do SBT estão entre as vítimas.

• Em meio a cobertura, uma produtora da Bandeirantes acusou a Infraero de privilegiar a Globo na divulgação de imagens.

• No Rio, o C-se testou as instalações de imprensa do Pan antes do evento.

• Galvão Bueno e Luis Fernando Lima, diretor de Esportes da Globo, quase chegam às vias de fato em uma discussão na emissora. O repórter Ivan Moré foi agredido em uma cobertura de prova de remo. E Larry Rohter causou entreveros durante uma prova de atletismo.

• Alan Johnston, correspondente da BBC em Gaza, é libertado após mais de cem dias de seqüestro.

• Vendido a uma universidade, o principal do espólio da Bloch Editores tem o leilão cancelado.

• O Diário da Tarde, jornal mineiro com 77 anos de história, é extinto.

Agosto
• Mês de definições para a EBC: é decidido que sua sede será no Rio de Janeiro, mas com o comando do jornalismo em Brasília.

• Vítima de denúncias de Veja, Renan Calheiros abre guerra contra a Abril e quase consegue montar uma CPI para investigar a venda da TVA.

• A Comissão de Valores Monetários (CVM) abre debate sobre jornalistas que atuam no mercado financeiro, propondo medidas de regulação.

• A TV Globo veta o acesso do Extra, também veículo das Organizações Globo, aos seus estúdios e sites de imprensa, após o jornal publicar matéria sobre um diretor que atiraria ovos pela janela em transeuntes.

• Larry Rohter, em entrevista ao Estadão, critica a imprensa brasileira e promete livro sobre sua quase deportação.

Morre Joel Silveira, um dos maiores repórteres brasileiros.

• Pimenta Neves completa sete anos em liberdade.

Setembro
• Amaury Ribeiro Júnior, repórter do Correio Braziliense, é baleado no entorno do Distrito Federal. Autoridades insistem na hipótese de assalto, embora o próprio jornalista tenha outra opinião.

• A Record News, canal 24 horas de jornalismo da Record, é lançada com a presença de Lula e ataques à Globo.

• Na TV Brasil, Tereza Cruvinel é designada como diretora-presidente, após a recusa de Luiz Gonzaga Belluzzo. Helena Chagas chega para a direção de jornalismo.

• César Giobbi deixa o Estadão após 32 anos, e tem o espaço de sua coluna ocupado por Sônia Raci. Em novembro, Giobbi estreou coluna virtual no portal Onne.

• O Prêmio Comunique-se estréia novas categorias e a Galeria de Mestres do Jornalismo.

Outubro
• Segundo o que o Comunique-se apurou, o departamento comercial da Rede Globo solicitou ao Meio&Mensagem que alterasse o teor de uma matéria sobre audiência de TVs. Os dois veículos negam, mas o autor da reportagem acabou demitido e o texto foi publicado em CartaCapital.

• No mesmo período, CartaCapital recusou anúncio da Globo em sua edição sobre as empresas mais admiradas do país, após ter proposto o espaço comercial.

• Heraldo Pereira estréia como comentarista no Jornal da Globo.

• O Brasil caiu da 75º para 84º posição no ranking de liberdade de imprensa do RSF.

• Com baixa audiência, o SBT Manchetes é substituído pelo seriado mexicano Chaves.

Novembro
• Paulo Henrique Amorim é citado por testemunha do caso Telecom Italia em entrevista ao Consultor Jurídico. O episódio gera um intenso debate na web entre Amorim e o diretor do Conjur, Marcio Chaer.

• A Gazeta Mercantil estréia novo projeto tentando renovar o público.

• A morte de Zózimo Barroso do Amaral completa 10 anos.

Dezembro
• A transmissão digital de televisão é inaugurada no dia 02/12. A data também marca a estréia da TV Brasil – embora Franklin Martins discorde que seja uma estréia.

• Paulo Henrique Amorim e Diogo Mainardi ficam frente a frente em audiência. Amorim processa Mainardi nas esferas cível – em que já perdeu em primeira instância – e criminal.

• Miro Teixeira pretender editar uma nova Lei de Imprensa, e inicia debate sobre seu anteprojeto.

• Completando 30 anos, o Grupo Meio&Mensagem anuncia mudanças para 2008 e comenta as demissões do ano.

• A MVL deixa a Gol para atender a TAM, em um inusitado movimento no mercado das agências de comunicação.

• O Comitê para Proteção de Jornalista (CPJ) registra 64 mortes em 17 países em 2007.

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