Ousar na formação básica do jornalista….

…não faz mal a ninguém, pelo contrário!!!!!! Os comentários gerados pelos colegas Rogério Christofoletti e André de Abreu ao post Números de reflexões….. acabaram por inspirar este post.

Parece que temos todos sentido na pele essa coisa de encontrar uma forma de ensino que busque o equilíbrio entre os preceitos do Jornalismo, que permanecem inalterados independente do meio e do formato, e as possibilidades de inovar com a participação dos leitores agora repórteres-cidadãos.

Penso que temos dois grandes nós: do lado do investigar e reportar é produzir academicamente profissionais com consistência e background que lhes dê capacidade de argumentação e contra-argumentação na etapa de captação; e segundo, pelo lado do exercício do “jornalistar” é criar competências na capacidade de edição, de organização lógica e correlacionada dos dados captados, dos dados oferecidos pelos leitores e por aí vai.

Algo me diz que deveríamos ser ousados e trabalhar em nível de graduação com coisas na linha de desenvolvimento do pensamento lógico, brainstorming/criatividade, técnicas de organização da informação (indexação, tags, etc), temas vinculados a inteligência de sistemas, enfim, conteúdos que possibilitassem habilidades e competências nos graduandos que reforçariam suas naturezas já integradas a um mundo informacional digital.

Também deveríamos ousar na abertura de um leque mais generalista no campo da cultura geral, não só leituras, mas uma real vivência das experiências culturais disponíveis em nossos ambientes. Caso contrário como jovens poderão adubar suas capacidades de fazerem correlações? Teriam que esperar a maturidade?

Por outro lado, penso que ousadia curricular está ainda um tanto longe do perfil corporativista e tradicionalista dos nossos condutores acadêmicos nos cursos de Jornalismo. Penso que esta minha ousadia de per si já é problemática….OK, sem problemas!!!!

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6 thoughts on “Ousar na formação básica do jornalista….

  1. Ousar é fundamental, Beth e Abreu. Mas eu fico pensando: mudou o jornalismo ou mudou a educação? Mudou o público ou as relações que estabelece o jornalismo com a sociedade? Perguntas suspensas e pontiagudas…
    Eu volto a postar sobre isso…
    Deixa eu reunir algumas idéias espalhadas por aqui…
    abs

  2. Colocando as idéias em ordem:
    Os últimos dez anos mudaram menos o jornalismo que seu público, penso. A expansão da internet como ambiente de comunicabilidade e sociabilidade, a emergência de uma cultura colaboracionista de produção de conteúdos, a busca pela personalização da informação, a facilitação dos dispositivos para uma maior participação e interatividade do público, tudo isso permitiu o aparecimento de expressões como “web 2.0”, “jornalismo cidadão”, “cultura wiki”…
    Por isso, eu acho que mudou mais o público que o próprio jornalismo. Este continua dependente de boa apuração, de sistematização das informações, de constante checagem dos dados, de uma tradução clara e atraente dos conteúdos. Etapas essas apoiadas numa ética específica.
    O fato de o público ter mudado mais que o jornalismo faz com que ocorram num segundo momento transformações no próprio jornalismo. Veremos isso ou talvez já estejamos sentindo esses efeitos.
    Neste sentido, e após tantos rodeios, acho que uma preocupação fundamental para quem forma os novos jornalistas é chamar a atenção para um novo olhar para o público. Os jornalistas precisamos mudar a forma de encarar os consumidores de informação porque hoje essa relação é diferente de 20 ou 30 anos atrás.
    Na medida em que enxergarmos nossos leitores, ouvintes e telespectadores não apenas como receptáculos passivos de informação, alteramos nossa relação com eles e redimensionamos as bases do processo de comunicação.
    Mas friso: essa é uma primeira preocupação.
    A mudança dos currículos, a proposição de novas políticas de formação e a formulação de alternativas para o ensino do jornalismo estão nas mãos dos professores, e não dos governos ou dos órgãos da área. Daí a importância dessas nossas discussões…

  3. Beth, traduzes algumas questões que incomodam/incitam muita gente, não apenas professores, mas gente que lida com a Web e que se interessa pelo que ela está provocando no Jornalismo. O Christofoletti, aí, foi meu professor de Ética, trabalhei com ele no Monitor de Mídia, etc. Encontrei o link para seu blog na página dele.

    Dias atrás – como um cara que se formou há pouco tempo, mas que já sente na pele esta “avalancha” de debates, e que ainda tem de contrastar tudo isto com o fato de lidar com a imprensa do interior (mal resolvemos o problema da contratação de formados, já estamos falando de cidadãos-repórteres, meu deus!)… dias atrás, uma discussão lançada pelo Carlos Castilhos, do Observatório da Imprensa, me despertou alguns comentários em meu blog.

    Tentei, de alguma maneira, fazer uma sessão descarrego, lá, a partir da visão de quase recém-formado (me formei em 2004) em relação à universidade e ao ensino do Jornalismo. Talvez tenha dito umas bobagens, mas, de alguma maneira, acho que algumas opiniões se aproximam com o que pensas (brainstorm, técnicas de organização informacional, etc.)

    Meu blog é http://rogerkrw.blogspot.com. E a postagem específica sobre este assunto é “Jornalista como gestor do conhecimento” (http://rogerkrw.blogspot.com/2007/04/jornalista-como-gestor-do-conhecimento.html).
    Se interessar, se contribuir em algo na discussão, fico agradecido. É muito bom ver gente da área – mais do que apenas os “apologistas da Web” – discutindo as mudanças no Jornalismo. Apesar dos receios, vivemos um momento instigante, e é ótimo para chacolhar um pouco dessa profissão um tanto “descreditada”, principalmente por parte do público. Abraços

  4. Rogerio, essa é uma discussão que realmente gostaria de aprofundar. Talvez possamos, um tanto ais adiante criar algo conjunto, um Gt, sei lá. De qq forma, na Intercom Sudeste, em 18/05 e no Congresso da Abrji em 19/05 próximos estarei palestrando sobre o tema.
    Abs, Beth

  5. Legal, Beth.
    Pena eu não poder te ouvir nas duas ocasiões. Não vou a Abraji nem tampouco ao Intercom Sudeste. Quem sabe a gente se encontra no Intercom de Santos ou ainda em Aracaju, na SBPJor…

    Vamos pensando e cruzando as antenas.

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