Leitores críticos questionam jornalismo “salsicha”

O príncipe e chanceler da Prússia, Otto von Bismarck (1815-98), observou certa vez: “Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis”. E, em algumas circunstâncias, poderia ser complementado, “…e as notícias“.
Nos Estados Unidos, leitores mais críticos questionam os padrões de jornalismo ou a chamada “síndrome da salsicha”. É o que informa Carlos Castilho em seu blog no Observatório da Imprensa sobre pesquisa acadêmica que “pretende ser uma radiografia ética das redações norte-americanas”:

Sete em cada dez jornalistas norte-americanos foram acusados de publicar matérias tendenciosas nos últimos 12 meses. Este alto índice de desconfiança foi constatado numa pesquisa feita pela Medill School of Journalism, da Universidade Northwestern, considerada uma das melhores escolas de jornalismo dos Estados Unidos.
(…)
Há uma forte pressão da opinião pública a favor de uma maior transparência nos procedimentos e normas internas dentro das redações, porque os leitores começam a ser influenciados pelo chamado “síndrome da salsicha”. As dúvidas sobre os ingredientes que entram na fabricação da salsicha passam a ser compartilhadas por um número crescente de consumidores de informação que agora querem saber como as notícias são criadas.

No caso do jornalismo brasileiro, obviamente não é possível generalizar de forma simplista, mas padrões de produção da notícias são disparatados entre veículos. Mesmo entre períodos históricos recentes, pode-se observar diferenças mais gerais de padrões de rigor e cobrança na produção da notícia.
Temos hoje no Brasil um leitor de notícias e consumidor de informações mais crítico? Está aí uma boa indagação. E claro que a mudança de panorama da produção de notícias (internet, blogs e até, de certa forma, comunidades virtuais etc…) não está fora dessa equação.

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One thought on “Leitores críticos questionam jornalismo “salsicha”

  1. Acho que a desconfiança é gerada por essa avalanche de informações que circulam pela internet e na mídia em geral. Hoje, as pessoas já não sabem de onde vem a informação que estão acessando, não há mais um vínculo entre notícia e orgão emissor da mesma. Revistinhas de fofocas, tábloides de baixa qualidade, jornais sem compromisso com a verdade dos fatos e jornalistas despreparados é que ajudam a deplorar ainda mais o quadro atual de contestação da qualidade da informação. É uma pena que em tempos como este, que nos permitem ter acesso a tantas formas de informação, tenhamos um jornalismo decadente e desprestigiado.

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