Coincidência?

Esta chegou-me pela lista de emails do Intermezzo: “Estranha coincidência“, um post de Renato Parada, o blogueiro do “Samjaquimsatva”, o qual relata as semelhanças entre duas entrevistas com Woody Allen publicadas na IstoÉ e na SuicideGirls. Em seu blog, já pululam comentários do tipo “vale demissão”, “que feio”, “plágio” e afins.

Agora, o outro lado

Reproduzimos abaixo a mensagem enviada por Osmar Freitas Jr. para a lista de discussão da Abraji em 30 de março de 2005:

“As pessoas que me conhecem estão dispensadas de ler o texto abaixo. Sabem como conduzo minha vida particular e profissional, e já tiveram inúmeras provas de falhas e correção de meu caráter.

Aos que não me conhecem, é necessária uma pequena apresentação: sou do tempo em que se dizia “comigo não, violâo!”. Também da Era em que se plagiava à vontade aquilo que saia no exterior, já que poucos liam em outros idiomas. Hoje em dia, qualquer zé mané lê em inglês, espanhol, francês, javanês, etc. As pessoas evoluiram, e eu – quero acreditar – que também acompanhei esta tendência. Já não uso mais o “comigo não, violão!”- ao pé da letra, mas continua acreditando na mensagem da frase, além de seguir não plagiando. E esta é a razão destas linhas apressadas. Fui acusado de ter plagiado duas perguntas e respostas saídas no site Suicide Girls, numa entrevista com Woody Allen feita pelo jornalista J. Epstein. A cópia teria saído em recente edição de ISTOÉ, onde sirvo de correspondente nos Estados Unidos.

Plagiador nunca fui. E sem querer me gabar que afirmou: não sou burro. Sabendo que a Internet está à disposição de milhões de pessoas- principalmente no Brasil- eu não iria copiar matéria postada na rede. Caso não houvesse entrevistado Allen, seria mais inteligente inventar uma conversa. No caso de uma estupidez plagiadora, seria recomendável, pelo menos, mudar um pouco o teor de perguntas e respostas.

A fórmula para o plágio é esta. Mas não a usei. O motivo, caros desconhecidos, é que procuro ser um profissional honesto. Tanto que jamais fui acusado de plágio nos mais de 30 ano que trabalho em jornalismo. Já me acusaram de mal-intencionado, de mentiroso, de vagabundo, de ignorante, do diabo. Mas nunca de plagiador. Isto porque, nunca copiei texto de outros.

Então vamos às dúvidas:

A primeira se refere à pergunta feita sobre o preparo de um enredo sob medida para o ator Will Ferrel- no filme Melinda and Melinda. A informação de que isto havia acontecido fora divulgada no release do estúdio Fox- que distribuiu a obra. Não era segredo, não era original, mas era importante para se entender os conceitos que moveram o diretor Allen. Nada mais justo do que fazer a pergunta. E Woody respodeu. Falou do processo do mesmo modo, tanto a Epstein, quanto para mim. Tenho certeza de que se outro jornalista o entrevistou ou viera a fazê-lo, terá exatamente a mesma resposta, com as mesmas palavras. Isto ocorre porque Allen- como qualquer um de nós- tem seu modo de falar, e relata acontecimentos de maneira semelhante- ou até com verbos, pronomes e advérbios repetidos.

Na segunda dúvida, vê-se plagiato na pergunta e resposta sobre o processo criativo de Woody. O modus operandi de artistas é uma curiosidade minha permanente. Em todas as entrevistas com atores, diretores, pintores, escultores, etc, faço a mesma pergunta. Como é seu processo de criação? E, em se tratando de um escritor, a questão ganha maior peso em minha balança.

Afinal, ganho a vida com as palavras. Quero saber como as pessoas escrevem. Epstein, ao que parece, também gosta do assunto. E Allen respondeu igual aos dois entrevistadores. Por que haveria de mudar o discurso? Ele gosta de escrever à mão em blocos de papel amarelo. Depois tem dificuldades para datilografar tudo. Escrevendo à mão, ele ouve em sua mente os diálogos. Mas quando o produto toma a forma datilografada, muita coisa deixa de soar bem. O único plágio neste caso foi o auto-plagio: Woody copiou a mesma resposta. E isso, não é pecado.

Últimas considerações: é extremamente humilhante ter o nome e carreira profissional sob suspeita. Principalmente se a acusação é feita do modo como foi. Nem todos lêem blogs na Net. Eu, por exemplo, sequer teria a chance de me defender, não fosse a atenção do amigo Cláudio Tognolli, que leu a suposta denúncia. O investigador, no caso, deixou de lado um dos pilares do jornalismo, que é sempre procurar ouvir o outro lado da história. Agora que se tem a minha versão, dou o assunto por encerrado.

Osmar Freitas Jr.”

(Post scriptum em 01/04/05).

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