Um fórum pré-digital?!

Do ponto de vista da organização em si do evento, a interface DIGITAL do Fórum Social Mundial tem sido muito boa, para não dizer quase exemplar. Credenciamento, hospedagem, informações da agenda, quase tudo está funcionando com facilidade a partir do site do Fórum.

Entretanto do ponto de vista do CONTEÚDO dos debates que mobilizam dezenas de milhares de pessoas em mais de 70 países, o Fórum não tem praticamente nenhuma dimensão digital. Bem, ainda escrevo daqui de São Paulo, tentando me municiar de informações preliminares.

Utilizando os vários recursos de pesquisa, encontro informação apenas na mídia de forma geral. A partir do site e de seus links conexos? Muito pouco, vago e burocrático.

Não há como acessar os diversos papers apresentados nas centenas de oficinas das quatro edições anteriores. Inexistem listas de discussão ou blogs apensados ao Fórum – essas ferramentas tão fáceis e acessíveis que se propagaram pelo mundo destrinchando os mais variados problemas sob as mais diversas óticas.

Relatórios dos fóruns dos anos anteriores? Confira-se, por exemplo, o “Memória” de 2004. Não ultrapassa meia página burocrática e um documento da abertura do encontro.

Pra piorar, o mapa do site simplesmente não funciona. Bem, existem 4 links inseridos no campo links! Fiquei quase uma hora tentando recuperar uma informação importante e não a localizei novamente dentro do site: a de que nesta terça-feira, dia 25/1, seria uma dia de debates sobre mídia e comunicação, precedendo a abertura oficial do encontro. Tentei de todas as formas e maneiras. Nada!

Até onde a vista alcança, os debates são predominantemente, ou quase que exclusivamente, presenciais.

Em resumo, a mídia internet – e seus recursos como tecnologia de inteligência, como conceitua Pierre Levy – é deixada de lado como uma plataforma ampla e imediata para debates.

“A inteligência coletiva (…) é praticada no mundo dos negócios, da política – ou, para falar de uma maneira mais ampla, o da cidadania. Hoje, muitas comunidades locais, muitos governos de vários países estão tentando aprofundar os processos de consulta da população, os processos de democracia deliberativa através de fóruns de discussão sobre questões de política local. Seria uma ciberdemocracia.”, afirma Levy.

No início do século 21, com centenas de milhões de pessoas conectadas à internet, realizar um fórum mundial ainda em formato pré-digital?

Bem, vamos aguardar mais um pouco, se deslocar até Porto Alegre e conferir de perto o que acontece.

Copyright parceria Intermezzo & BR Press

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