Tsunami: velocidade das mídias e (des)informação

No domingo, dia 26 de dezembro, no Oceano Índico, existiria tempo hábil para alerta dos maremotos e, portanto, teriam falhado fragorosamente as redes de comunicação?

Ou, ao contrário, pouco havia a se fazer a não ser correr atrás do prejuízo? E, sendo assim, o papel das diversas mídias ficaria praticamente reduzido a cobrir os eventos e não a também alertá-los?

Em outras palavras, qual seria a velocidade possível do fluxo de informações nas redes de comunicação em seus diversos suportes: telefonia, internet, televisão, rádio etc.. nesse episódio?

No “tsunami de desinformação” que precedeu e se seguiu ao tsunami nos mares, pode-se diferenciar dois cortes distintos para análise.

Creio que primeiro o que mais chama a atenção são as observações diversas de especialistas (geólogos e sismólogos) indicando que a inexistência de uma rede de alerta entre governos e países fez fracassar medidas preventivas viáveis.

Apenas quinze minutos após o tremor, o Centro de Prevenção de Honolulu emitiu um primeiro alerta que não chegou aos 26 países atingidos no Índico (fato amplamente noticiado).

O primeiro tremor de terra foi detectado praticamente de imediato. Mas não havia uma rede de comunicação (que, ao que tudo indica, passaria pelos governos) para avisos em tempo hábil e que pudessem se espalhar pelos litorais dos países atingidos no tempo de uma a três horas.

Repasso trechos de matéria do jornal “O Estado de S. Paulo”, do dia 28 de dezembro, p. A14 (não encontrei link acessível).

Sistema de alerta poderia ter salvado muitas vidas

Peritos em tsunami enfatizam que onda demorou de uma hora e meia a duas horas para chegar às costas de lugares devastados.

Peritos em tsunami avaliam que seria possível minimizar os efeitos decorrentes do maremoto de domingo na costa Indonésia se os países mais afetados, como Sri Lanka e Índia, no Oceano Índico, integrassem uma rede de alerta sobre esse fenômeno. (…)

(…) alertas imediatos podem dar tempo suficiente para remoção de populações, disse o perito em tsunami Tad Murty, da Universidade de Manitoba, no Canadá, convencido de que a devastação seria bem menor

(…)

Outros cientistas expressaram opiniões semelhantes num encontro de uma comissão oceanógráfica ligada à ONU, mas os países do Índico nunca mostraram iniciativa para isso. “Eles veêm isso (os tsunamis) como um problema do Pacífico”, afirmou Murty. “Acho que depois dessa tragédia, vão mudar de idéia”.

Também David Applegate, do Instituto Geológico dos EUA, responde categoricamente com um “não”, ao ser indagado sobre a inevitabilidade da tragédia.

(Outras matérias indicavam que o maremoto demorou até seis horas para se espalhar por todo o Índico).

Este primeiro corte é assim o do tempo imediato entre o tremor até o limite de seis horas e do ponto de vista das vítimas.

Ou seja, após o tremor e antes do maremoto chegar ao litoral no dia D, dia 26 de dezembro de 2004, as indicações são de que o papel da mídia foi quase que inexistente ou ao menos ineficaz. Não há testemunhos (entre o material que tomei conhecimento, ao menos) que alguém tenha sobrevivido por ter sido noticiado por alguma mídia qualquer do avanço dos maremotos.

Em outras palavras, a velocidade e coordenação das redes de comunicação (incluindo governos) foi lenta e desconexa.

Um segundo corte seria a cobertura das diversas mídias internacionais e a posteriori, ou seja nos DIAS SEGUINTES ao evento quanto à qualidade e consistência das informações levantadas.

Cobertura caracterizada por um tom bombástico da quase inevitabilidade frente às forças da natureza. E adicionalmente marcada por um grande desencontro de informações (a cada dia eram complementadas e ampliadas numa escala sem precedentes).

Aos poucos, as diversas mídias conseguiram reorganizar lentamente a consistência e o conjunto das informações. A ênfase passou para o caráter humanitário da ajuda e dos esforços de reconstrução e também de crítica à ineficiência ou mesmo relutância dos governos ocidentais.

Neste segundo ângulo de análise, as mídias (inclusive a internet) recuperaram um papel informativo mais pleno e com informações mais coerentes.

Informações adicionais:

Prevenção contra tsunamis não chegou ao Índico – Experiência do Havaí e sistema de monitoramento da Noaa poderiam ter inspirado autoridades da Ásia a montar serviço de alerta eficiente.

Associação dos Engenheiros da Petrobrás – Apet

La NOAA tiene sus centros de advertencia ubicados en Hawaii y Alaska y pueden emitir una advertencia sobre una ola de marea a los 15 minutos después de un terremoto que advierte eficazmente cuando estas olas llegan desde muy lejos.

“Faltam sistemas de alerta”

Mejora tiempo de alerta ante tsunami

Pacific Tsunami Warning Center

The Tsunami Page

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