Salaverría: Del 11s al 11m

Faço um resumo da palestra na ECA-USP, dia 8 de dezembro, e do paper do prof. Salaverría: “Los cibermedios ante las catastrofes: del 11s al 11m”.

Resumos são pessoais e tendem a simplificar o raciocínio original mais complexo. Com certeza, o paper permite uma visão mais rica e completa.

Espero que tenha sugerido uma tradução adequada de termos como, por exemplo, “cibermedios” que foi tomado como equivalente a “mídias digitais” (aproximadamente como a utilizamos no Brasil). As aspas correspondem às passagens mais literais de Salaverría.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e os 11 de março de 2004 na Espanha são “situações-limites” que permitem sair o jornalismo diário de sua rotina. Além disso, rompendo com a “lei do “mínimo esforço.” ”Em 2004, há outra curiosa coincidência: são exatamente dez anos de surgimento das primeiras mídias digitais na internet.“ Ao final de 1994, existiam cerca de trinta periódicos digitais nos Estados Unidos. Em dez anos, os periódicos experimentaram um desenvolvimento espetacular. Só na Espanha, em 2004, seriam ao menos 1.100 mídias digitais. “Em apenas uma década, as mídias digitais desenvolveram uma idiossincrasia própria que os diferencia, cada vez mais, com maior clareza, de seus precedentes impressos ou audiovisuais.”

As mídias digitais parecem se encontrar ainda no estágio inicial de seu desenvolvimento. Uma década parece muito pouco tempo para que as mídias digitais alcancem sua maturidade, mas a comparação entre o 11s e o 11 m indica:

– Uma ruptura imprevista da pauta informativa diária.

– Um súbito aumento do tráfico web por conta da avalanche de internautas.

– Uma aceleração no ritmo de produção de notícias

– Uma competencia jornalísitca simultânea com meios consolidados, como o rádio e a televisão e de meios alternativos como os weblogs.

Cabe observar que as catástrofes do 11s e do 11m não são idênticas e também são diversas de um ponto de vista comunicativo.

Entretanto, as similaridades são:

Tempo: A série de atentados em EUA e Espanha ocorrem em espaços de tempos breves, mas suficientes para uma cobertura informativa direta por parte da mídia.

Aconteceram nas primeiras horas de dias de trabalho.

Surpresa: o que ajudou a criar um estado de choque coletivo.

Impacto: uma descomunal magnitude de prejuízos.

Diferenças de lugar, de recursos e particularmente de experiências dos meios de comunicação. Para a história da mídia digital que tem algo como dez anos, iniciada em 1994, dois anos e meio podem se constituir em tempo extenso e significativo.

Os principais sinais de imaturidade da cobertura digital no 11 de setembro foram:

– a falta de previsão tecnológica com a avalanche de internautas;

– a escassa prudência editorial;

– a ausência de uma identidade editorial definida.

Já no 11 de março de 2004, ocorreram sinais de evolução:

– Melhor preparação tecnológica: não houve colapso em servidores. As mídias digitais aprenderam a lição.

– Maior protagonismo da internet como plataforma para os meios. “Nos dez anos que vão de 1994 a 2000, as mídias digitais passaram de completamente ignorados, a ser temidos, logo enaltecidos, mais tarde criticados e, finalmente, considerados como um meio a mais – ou quase – em concorrência com os jornais, o rádio e a televisão.”

Com o 11 de setembro uma grande quantidade de pessoas descobriram as mídias digitais como nova fonte de informação jornalística, mesmo após terminado o interesse imediato.

– Melhor aproveitamento dos recursos multimídia.

Pontos fracos da cobertura digital tradicional no 11 de março:

– A informação não é patrimônio dos meios.

– Os fóruns, as listas de correios e as mensagens entre celulares foram abundantemente utilizados.

– Os weblogs funcionaram como um meio complementar de informação e de comentários e análises dos acontecimentos.

Tudo isto indicando um novo paradigma de comunicação social: um novo modelo que se caracteriza por ser cada vez mais multidirecional e descentralizado e no qual os meios institucionalizados perdem sua posição anterior de monopólio da informação.

– Uma importante lição pendente: a internet é interativa.

– Além disso, forte escassez de fontes primárias e de observações diretas.

No 11 de setembro, houve inclusive uma redução da confiabilidade nas informações. Notícias falsas não foram corrigidas: foram simplesmente apagadas.

Já no 11 de março, ocorreu uma presença mais direta dos jornalistas de internet se distanciando do modelo “corta e cola”.

De qualquer forma, destaca Salaverria: pela primeira vez, ao invés dos jornalistas de papel estarem municiando com suas informações a web, foram os da internet que publicaram seus artigos no papel.

(Destaques em negrito meus, scv)

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4 thoughts on “Salaverría: Del 11s al 11m

  1. Prof. Salaverría: agradecemos nós, da ECA-USP, sua presença e riqueza de observações. Com certeza, resumir é mais fácil do que elaborar.

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