CFJ: no mínimo, obsoleto

Já que voltamos a falar do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), agora por conta do artigo do Larry Rohter (ver post abaixo), deixo aqui registrado o link de um interessante artigo do Pedro Doria: “O conselho obsoleto“.

Seguem alguns trechos:

E como o Conselho trataria de blogs? Imporia-lhes multas? Quebraria estes microveículos? Levaria à falência gente que trabalha de casa com acesso apenas a um computador e telefone? Trataria como um igual o sujeito só porque tem o potencial de alcance (e estrago) de um grande jornal? Assim, como cuidar de todos ao mesmo tempo?

Um conselho corporativo nasce obsoleto, se nascer, pelo simples fato de que o corporativismo no jornalismo está dando seus últimos suspiros. Já-já ele vai aparecer cá no Brasil: o blogueiro que tratará de, digamos, economia diariamente, sempre com informação nova, um texto agradável e simples. Ele ganhará leitores. Eventualmente, tomará gosto pela coisa, fará uma carteira de fontes – intuitivamente, este economista ou engenheiro ou curioso, não importa, terá se transformado num repórter ou analista.

Os sindicatos da categoria vão espernear, alguém vai acusar a falta de diploma em comunicação e um não-conformismo geral se estabelecerá porque, que diabos, o tal sujeito, o blogueiro, terá leitores. Um dia, muitos leitores. (…)

Antes da Internet era preciso acesso a grandes rotativas, máquinas caras, para exercer este direito em grande escala. Não mais. Um conselho que representa um pacto entre o Estado e a Corporação vai contra o fluxo da informação. Diz um velho ditado da rede: a informação quer ser livre. E o problema é que o conselho jamais conseguirá controlar, quanto mais julgar, o que se diz nas páginas da rede. Nela as pessoas podem assinar com pseudônimos. Podem ser anônimas. É claro que os reacionários não gostam – é claro que vão tentar impedir de alguma forma.

Só que não vão conseguir.

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2 thoughts on “CFJ: no mínimo, obsoleto

  1. Já que o assunto veio pra cá, tomo a liberdade de reproduzir o texto que escrevi na lista sobre o mesmo assunto (embora saiba que, em outro post, Dani, você já tenha comentado isso).Gostei do texto. Sou tão otimista quanto o Pedro Dória e também acho que o futuro é mais ou menos o que ele descreveu. Minha única ressalva está no prazo de cinco anos para a percepção de uma mudança de paradigma no jornalismo brasileiro.Aposto, como sempre apostei, na evolução dos blogs no ambiente jornalístico. Ainda acho que eles vão dar caldo. Mas, sinceramente, não tenho visto muita evolução no jornalismo online brasileiro. Estava até comentando com um amigo que, há coisa de dois ou três anos, o assunto da conjugação jornalismo+internet era efervescente e eu ia a/ouvia falar de muitas palestras e seminários. Hoje, parece que o tema esfriou e isso se reflete nos sites de notícias, que, na boa, continuam praticamente os mesmos de três, quatro anos atrás. Comparando-se, por exemplo, o mesmo período no fim dos anos 90, isto é, algo como 96 a 2000 ou 97 a 2001, a curva de mudanças teve uma inclinação muito maior, enquanto depois de 2001, mais ou menos, pouco foi feito. Além disso, ao contrário de alguns anos atrás, pouco ouço falar de debates sobre jornalismo online aqui no Brasil.Pra não ser injusto, duas modalidades têm avançado muito na internet brazuca, além dos blogs, que são os sites regionais e as páginas corporativas. Curiosamente, a globalização e a eliminação das distância nos pôs em contato com culturas e informações de todo mundo, e simultaneamente nos deu ótimas opções de veículos de comunicação locais, regionais, próximos de nossa casa. Além deles, sites de organizações (= empresas, instituições sem fins lucrativos, corporações, grupos sociais etc.) também têm se desenvolvido e, pra isso, investido na contratação de jornalistas para a produção de seu material (não sei se é a maioria, mas acho que todos conhecemos bons exemplos). Entretanto, sempre que vamos discutir jornalismo online, falamos de sites de notícias, citamos Globo Online, JB Online, Folha Online, UOL, iG, Terra etc. e esquecemos desses dois grandes tipos de sites noticiosos importantes. Isso, inclusive, mostra como tem faltado debate sobre o assunto em toda a sua amplidão.Confio numa alteração radical no quadro do jornalismo online brasileiro. Porém, tenho minhas dúvidas quanto ao prazo de sua consolidação. Acho que já era pra ter acontecido algo muito mais forte, intenso, perceptível. Mas blogs ainda são vistos como diários de adolescentes, sites apostam em enquetes como “recursos interativos” e a utilização de multimídia ainda engatinha. Acho que faltam ousadia e investimento. Numa época de crise econômica para as empresas de comunicação, compreende-se a escassez de recursos. Mas não se justifica a ausência de novidades de verdade.

  2. Correndo o risco de falar à distância e sem conhecimento específico do caso penso que há aqui duas questões – uma, a do exercício do Jornalismo, a outra, a do exercício da livre opinião.O primeiro, parece-me, precisa de ser regulado sobretudo para que melhor possa ser escrutinado. Regras partilhadas asseguram maior transparência numa actividade que tem todas as potencialidades para se prestar a águas turvas.O segundo, creio, vai avançar sem grandes restrições. Como em quase tudo o resto, critérios de melhor adequação de conteúdo a audiências específicas ditarão o seu sucesso ou insucesso.Há potencial para que as coisas se tornem menos estanques – claro que sim. E essa é uma realidade com a qual todos vamos ter que viver e à qual vamos ter de nos adaptar: os jornalistas, os que estudam o jornalismo e os que confiam nele para se manterem informados.lsantos

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