Paradoxo: economia virtual recupera-se, mídias virtuais estagnadas?

Em agosto, o índice de confiança dos trabalhadores norte-americanos em TI cresceu. Isto é o que indica pesquisa mensal da empresa Hudson Highland Group. Este índice vem ascendendo ao longo de 2004 e chegou a seu ponto mais alto no mês de agosto. E mais: o nível de confiança na área de TI é superior aos de outros setores da economia dos EUA. Confira a nota do ItWeb.

Teria fundamento tal otimismo? Não estaríamos ainda sob o primado dos efeitos do estouro da bolha no fatídico 10 de março de 2000?

Matéria de capa da revista Forbes, de julho, diz, com todas as letras, que não. Que já teríamos (no mundo, nos EUA e também no Brasil) deixado lá para trás o ponto mais baixo da curva e estaríamos em um trecho ascendente de recuperação. Note-se que o índice Nasdaq mantém-se modesto mas positivo: quase 2% no acumulado dos últimos 12 meses, quase 2% no último mês.

Para a Forbes, o setor da internet (e TI) não só volta a esquentar como estaria até contribuindo para o melhor dinamismo da economia mundial. Na Nadasq – com destaque para o lançamento das ações do Google – e no Brasil, o universo virtual movimentaria valores crescentes. Em 2004, o comércio eletrônico no Brasil poderá fechar em faturamento até 40% superior ao de 2003.

A matéria está pontilhada por exemplos bem-sucedidos pós-estouro da bolha: Submarino, Lojas Americanas, Magazine Luiza etc.. Há um certo tom de otimismo prematuro e não se contrasta com fontes mais cautelosas ou opinões mais pessimistas. A íntegra da matéria da Forbes está acessível com um simples cadastro.

Já na área de jornalismo – impresso ou digital — nada anda tão fácil. De forma contundente, Clóvis Rossis comenta em sua coluna desta sexta, dia 3, da inquietação que toma conta dos meios editoriais e constantemente debatida no Intermezzo: “Seria impraticável resumir aqui todas as perplexidades, mas uma delas me parece a central. Começa pela constatação de que houve uma queda forte na venda de jornais em quase todo o mundo (o debate foi essencialmente sobre mídia impressa). Continua com a avaliação de que é a internet que está devorando os leitores dos jornais. Se fosse só isso, o problema poderia resumir-se a transferir os jornais do papel para os meios eletrônicos. O diabo é que, segundo cálculos exibidos nos seminários (referentes aos Estados Unidos), o lucro de um ano de um site de jornal na internet eqüivale ao lucro de uma semana de um jornal impresso. Ou, posto de outra forma: o jornal pela internet não é suficientemente rentável para sustentar uma Redação como as que hoje fazem o jornal em papel (por mais que tais Redações tenham sofrido brutais lipoaspirações nos últimos anos).”

Podemos estar assim frente a um paradoxo?

A economia do mundo virtual recuperando-se (comércio eletrônico, investimentos das empresas em TI etc…), mas a área de informação e das mídias virtuais crescendo a passos lentos ou até retrocendo?

Já argumentava o velho adágio da sociologia que a superestrutura não acompanha de imediato a infra-estrutura. Assim, a eventual recuperação da economia não só não estaria trazendo alento às midias virtuais, como os sinais seriam que tende a continuar o marasmo digital – ao menos no meio do jornalismo brasileiro nos meados desta década. Enxugamento, falta de criatividade e ausência de novos projetos são as indicações mais visíveis, como já indicado aqui no Intermezzo. Ou seja, o jornalismo digital parou no tempo! E até contrariando a economia?

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