Weblogs: catalizadores de inteligência coletiva?

Blogs – já são milhões em poucos anos – têm se constituído em forte referência para internautas em todo o mundo. Pode ser esta ferramenta – que quase se constitui em uma mídia menor dentro de outra mídia maior, a internet – uma articulação mais complexa de debate e reflexão?

Talvez devêssemos examinar mais o ambiente cultural geral, ou, de certa forma, algo que talvez pudéssemos denominar como conjuntura cultural para saber quão efêmeros e levianos ou, diversamente, sedimentados e consistentes podem ser os debates. Sejam eles presenciais, virtuais ou por intermédios de outros meios. O formato da mídia por si só não predetermina o grau de complexidade de seu conteúdo. Ou cairíamos num certo fetiche dos tipos de mídia. Televisão, rádio, cinema, jornal, livros podem ser mais ou menos consistentes em termos de estruturação de conteúdos.(A discussão deste ponto é longa: McLuhan, meio/midia e mensagem etc…)

De forma similar e mais geral, a própria internet em si tem sido freqüentemente bombardeada como uma mídia superficial e inconsistente. Particularmente, creio que há muito de um certo academicismo ainda refratário às novidades e que subestima as potencialidades e até a enxergar os avanços da nova mídia virtual. Eventualmente, uma certa insegurança conceitual em analisarmos o que estão ocorrendo debaixo dos nossos narizes e dos quais somos também personagens (ainda que ínfimos, dada a vastidão digital…)

Nos blogs coletivos encontra-se uma sucessão de argumentos mais ou menos estruturados. Uma linha de debate que se estende no tempo virtual.

Seu grau de persistência e pertinência dependerá dos autores, dos sujeitos de suas articulações.

Blogs não seriam umas (entre TANTAS outras) das materializações possíveis da inteligência coletiva, conforme a conceitua Pierre Levy: “uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências”?

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3 thoughts on “Weblogs: catalizadores de inteligência coletiva?

  1. Querido Sérgio,Particularizando para o caso do Intermezzo, digo que a *ferramenta* blog caiu como uma luva para os nossos propósitos. O sistema é de fácil administração, permite tranqüilamente reunir diversos autores e ainda lhes dá autonomia para publicação de textos. Isso não significa que o blog, enquanto *mídia*, seja apropriado aos nossos propósitos (gerar debates e reflexões consistentes, dentro de uma lógica…). A questão é mesmo complexa. Tudo o que você coloca é de suma importância. E acho que ainda temos muito o que descobrir por aí.Abraços,Daniela./

  2. Oi, Dani, O fenômeno blog ainda é relativamente recente e com certeza vai gerar ainda muito debate. Inclusive o debate se permitem os blogs debates consistentes. Creio que esta é uma questão simultaneamente teórica e prática. Interferem vários níveis de questões: o ambiente cultural e teórico nos quais os blogs frutificam, os sujeitos/atores de sua produção, por último, mas não o menos importante, se a ferramenta em si é ampla e flexível para discussões densas e coerentes. Mas esta é uma questão também prática. Conhecer e saber dos blogs que correm soltos pela internet em todo o mundo se efetivamente agregam valor informativo, teórico ou conceitual. Desconheço as estatísticas mais recentes, mas matéria de 14 de julho na Agência Estado citava três milhões de blogs pelo mundo (mas me lembro de ter lido algo como dez milhões…).Claro que a imensa maioria destes blogs têm pouca consistência e valem, no máximo, uma rápida visita para tomada de conhecimento. Mas parcela menor, ainda que pequena, traz um grau de articulação maior e mais complexa, com informações e questões preciosas. Poderíamos inverter os termos da pergunta: onde estão ocorrendo os debates relevantes hoje, em que espaços, em que instâncias? Nos jornais, nas academias, nos seminários, no mundo prático e profissional? E mais pontualmente: na internet e em suas várias ferramentas? No mínimo, poderíamos dizer que estes debates estão difusos em várias instâncias e espaços (inclusive os virtuais). E que há indicações que, por um caminho ou outro, a internet tem mais acrescentado do que diluído a amplitude e a consistência das informações e suas articulações. Também poderíamos examinar a questão com um exemplo lateral aos blogs: as listas de discussão. Já são alguns milhões delas pela internet. Qual a qualidade destas listas quanto à consistência e estrutura de argumentos? Provavelmente já existem pesquisas e trabalhos a respeito. Minha experiência empírica relativa a no máximo algumas poucas dezenas de listas – ao menos as visitando ou mesmo participando com maior ou menor intensidade – é que as listas são profundamente desiguais quanto ao grau e qualidade de articulação em argumentos e sua consistência. Supondo-se ao menos vagamente o debate acadêmico como uma referência comparativa, em muitas delas é absolutamente impossível levar uma discussão minimamente metódica e coerente, com as devidas ponderações e contra-argumentações. Em outras (poucas), um debate mais produtivo consegue se estabelecer e frutificar. Aspecto este muito mais derivado do círculo de pessoas participantes do que eventuais limitações intrínsecas a estes meios utilizados. Pessoalmente, não consigo ver indicações que a ferramenta blog ou lista de discussão sejam em si limitadoras de debates mais articulados. E nada ou quase nada as impede de se constituírem em plataformas virtuais do que conceituaríamos como inteligência coletiva.Enfim, o debate continua e com certeza ainda ficará em pauta.Abraços, Sérgio

  3. O blog é uma ferramenta e tanto. Oferece a possibilidade de ser coletiva ou individual. Permite o anonimato (ou o “pseudonimato”). Facilita a participação do visitante. Constrói, com outros blogs e sites em geral, uma rede conduzida por assuntos semelhantes.Conceitualmente, o blog tem um poder incrível, que pode ser resumido no primeiro parágrafo deste comentário. Porém, ele ainda é visto como diário de adolescentes por muitos, e por isso continua sendo desprezado injustamente. Além disso, apesar de seu potencial já descrito, há ainda muito o que ser ajustado. O formato de comentários, cronológico, será mesmo o ideal, por exemplo? Acho que, com alguns aperfeiçoamentos, o blog ganhará muito mais adeptos e suas possibilidades serão exploradas ao máximo.Desculpem, estou um pouco com sono, não sei se consegui articular como eu queria, mas não pude deixar para escrever depois. Esse assunto me anima bastante.

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