TEMAS PARA PENSAR 1: Spam ultrapassa os limites da…

TEMAS PARA PENSAR 1: Spam ultrapassa os limites da Web

Na esteira da recente reunião ocorrida em Genebra para formas de combate ao spam na web, deixo aqui meu depoimento para reflexão.

Meu comentário surgiu após uma frustrada tentativa de uma manhã de trabalho concentrado sem interrupções. Supostamente, as atividades que desenvolvo – a pesquisa, o ensino e a consultoria – requerem um mínimo de introspecção, concentração e reflexão para a produção de resultados razoáveis e propositivos. Quando entro neste processo, em geral, busco o abrigo de meu escritório doméstico, onde, também supostamente, o índice de interrupções é menor ou mais controlado.

Cada vez mais este refúgio vai ficando vulnerável a cenas que simplesmente poderiam ser rotuladas como invasão de privacidade, mas que mercadologicamente têm têm sido creditadas ao famoso “marketing de relacionamento”. Parece norma: a cada dez telefonemas no período da manhã, nove destinam-se à venda de algum produto ou solicitação de alguma contribuição filantrópica; o período da tarde dá um descanso, e o cair da noite retoma o assédio com elevado furor entre 20 e 22 horas.

Ao que parece, o spam (as mensagens indesejadas) mudou de canal. Ele que ainda invade nossos e-mails e que tem sido perseguido por filtros e controles dos mais diversos para que a World Wide Web não seja desacreditada está migrando para o telefone, e trazendo as mesmas indagações geradas pelo spam: quem fornece ou de onde são capturados nossos e-mails e números telefônicos? Estaríamos mais expostos à já existente ação do Grande Irmão?

Tecnicamente, esta ferramenta de marketing de relacionamento – o telemarketing – está mais para um marketing de interrupção de baixíssima eficácia, segundo Seth Goddin. Da mesma forma que ocorre no ambiente web, toda interrupção, ou desvio de atenção, retira o foco do usuário no conteúdo e o carrega para outro site e não para o cerne da interrupção.

No caso do spam telefônico verificamos mais um agravante. Talvez inspirado pelos critérios de rejeição do spam digital, onde emissor desconhecido ou provedor de mensagens que consta da lista negra, deleta-se automaticamente a mensagem, a totalidade destes contatos telefônicos iniciam-se em identificação de quem está do outro lado da linha e quais seus reais objetivos.

Ao que tudo indica a figura do spam já é parte do cotidiano em todas as formas disponíveis de comunicação interpessoal. Incluam-se aqui as propagandas não solicitadas que sempre invadem nossos ouvidos nas linhas de atendimento ao cliente e mensagens de texto para nossos celulares, vendendo algum “benefício” do provedor.

É um tema interessante para quem quer desenvolver algo diferenciado na pesquisa em Comunicação. Já é tema de desenvolvimento de tecnologias para filtros telefônicos. E também para o oportuno lançamento de uma liga anti o mau uso do telemarketing.

Aguardo aliados nessa luta.

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