PONTO DE FUGA – PARTE I Incrível como nos chega…

PONTO DE FUGA – PARTE I

Incrível como nos chegam tantas informações, tantas vozes e tantas idéias num só dia. Melhor quando encerram contrastes. Ontem pela manhã, li no caderno [Sinapse], da Folha de S. Paulo, o artigo “A esperança é digital”, de Gilson Schwartz, diretor acadêmico da Cidade do Conhecimento da USP. (Pelo título já é possível perceber o que vem pela frente: um belo enaltecimento das mídias digitais). No final da tarde, ouvi frases que se colocaram nos antípodas do artigo de Gilson: tomei contato com as máximas ácidas e cômicas de Loreano Barata — esse é o pseudônimo de um grande amigo, que enxerga a si próprio como na foto do Eraserhead ao lado. Barata foi um dos primeiros a ter acesso à Internet aqui no Brasil. Já em 1994, ele se conectava à rede de forma clandestina: criava elaboradas gambiarras telefônicas para a Dinamarca e Suécia para conseguir navegar pelo ciberespaço. Nunca foi pego. E a Internet é o seu ganha-pão até hoje. Rabujento e sui generis, vê a mídia digital com olhos pessimistas; para ele, a rede piora a cada dia que passa e pouco vem contribuindo para as sociedades. Vamos aos trechos. Para inspirar uma reflexão ou por pura diversão.

“A esperança é digital”, por Gilson Schwartz

“(…) Há na desgraça tanta inteligência quanto na busca pela paz, do igualitarismo, do desenvolvimento. Há no ‘bem’ tanta inteligência quanto no ‘mal’. (…) Mas, se toda inteligência é relativa, de onde virá a esperança? Se o desenvolvimento da técnica não garante a evolução da espécie, como surgirão sociedades ‘melhores’? Vão ganhando força os projetos sobre mídias digitais. A sociedade ‘melhor’ seria a do conhecimento, construída por meio de redes de informação e comunicação desenvolvidas com tecnologias abertas. (…) O controle social resulta sempre de algum monopólio (…) O desenvolvimento das redes digitais, no entanto, é incompatível com o monopólio. Seu sucesso e sua inteligência específica são coletivos, num sentido que desafio as formas rígidas de poder. (…) As cidades têm, portanto, futuro – ele é digital, construído por uma inteligência que está além do bem e do mal”

Máximas de Loreano Barata

– “A internet está me transformando num monstro”

– “Na Internet, só há analfabetos; ninguém mais escreve direito, estou emburrencendo”

– “O Orkut é o anti-Cristo: está acabando com a humanidade”

– “Blog é um monte de gente contando sua vida besta para outra gente besta”

– “Fotolog é tudo igual: uma fotinho e, debaixo dela, uma poesia ou letra de música. E 90% dos comentários são assim: ‘mto linda!’ ”

– “Webdesigners deveriam ser obrigados a usar as porcarias que criam’

– “A Internet está se tornando uma merda”

– “Alguém tem que acabar com a Internet”

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